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Milhares de trabalhadores da General Motors (GM)/Opel na Europa protestaram ontem, em pelo menos seis países, contra o plano de reestruturação da matriz da empresa nos Estados Unidos, que inclui demissões em massa. Também pediram a separação da Opel da GM.

Hoje, a direção da Opel se reúne com o governo alemão para tentar fechar um pacote de socorro de pelo menos 3,3 bilhões. Mas políticos alemães alertam que a solução terá de ser europeia.

A Opel está à beira da pior crise em 125 anos de história. Em 2008, seu prejuízo chegou a US$ 2,8 bilhões. Por isso, a GM quer cortar US$ 1,2 bilhão em custos na Europa, principalmente nas subsidiárias Opel, Saab e Vauxhall.

O plano prevê a eliminação de 47 mil postos de trabalho, dos quais 26 mil fora dos Estados Unidos. A GM tem fábricas na Áustria, Bélgica, Espanha, França, Polônia, Rússia, Suécia e no Reino Unido. Na Alemanha, são três fábricas.

"O desastre não vem da Opel, vem da GM", afirmou o chefe do Conselho dos Trabalhadores da Opel, Klaus Franz. Os trabalhadores vão pressionar hoje pela criação de um grupo independente da GM, reunindo a Opel e a Vauxhall, do Reino Unido. "Oitenta anos depois termos submetido a Opel ao controle da GM, o acordo já não funciona mais", disse.

Os sindicatos pedem empréstimos do governo, a compra de ações da Opel pelos países europeus, liberdade de buscar novos investidores e criação de outra estrutura de gerência.

Angela Merkel, a chanceler alemã, destacou ontem que o governo favoreceria a concessão de empréstimos à Opel, mas insistiu que só vai considerar um pacote ao ver um plano "sustentável" de reestruturação.

A queda nas vendas e o prejuízo na Opel pode custar 1% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão em 2009. O vice-chanceler alemão, Frank-Walter Steinmeier, fez questão de protestar ao lado dos trabalhadores. Ele concorre com Angela Merkel nas próximas eleições, em setembro. "Não estamos aqui só pela Opel, mas pelo futuro da indústria da Alemanha", disse.

Só na região onde a Opel tem sua sede, em Ruesselsheim, 15 mil trabalhadores saíram às ruas. "Os trabalhadores da GM na Europa estão mandando uma mensagem hoje: a Opel não vai morrer", disse Berthold Huber, líder sindical.

Os protestos também ocorreram na fábrica da Saab em Trollhattan, com o apoio do Partido Social Democrata. A GM tenta se desfazer da unidade sueca da Saab, que em 20 anos só deu lucro em dois. Estocolmo já avisou que não vai pôr dinheiro na empresa e, sem ajuda de investidores, ela pode fechar.

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