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Brasília, 27 - O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, disse hoje que o agronegócio brasileiro pode sair fortalecido da crise financeira internacional. Ele acrescentou que a taxa de câmbio, atualmente em cerca de R$ 2,20, vai tornar a exportação brasileira mais competitiva, mesmo se houver uma queda nos preços das commodities agrícolas, por conta do desaquecimento da economia mundial.

De acordo com ele, estão mantidas as perspectivas da exportação brasileira de carne suína para este ano. Os embarques devem somar 600 mil toneladas e render US$ 1,8 bilhão, números parecidos com os do ano passado. Para 2009, Camargo Neto comentou que ainda é cedo para falar em previsões porque o setor está "tentando digerir" os efeitos da crise internacional.

Ele avaliou que, se o dólar se mantiver a R$ 2,20, o Brasil deve se tornar mais competitivo no mercado exportador, podendo atrapalhar concorrentes internacionais, como é o caso da Dinamarca, que é grande produtor mundial de carne suína.

O Brasil é o quarto maior exportador de carne suína do mundo e as vendas estão concentradas no mercado da Rússia, que absorve cerca de 40% dos embarques do Brasil. Camargo Neto observou que alguns compradores têm tentado renegociar contratos por causa da valorização do dólar. Ele disse, no entanto, que o problema é mais grave no caso da carne bovina, em virtude do elevado nível do estoque na Rússia.

O presidente da Abipecs informou, ainda, que não existe risco de "calote" nas vendas de carne suína ao exterior. Isso porque, segundo ele, 30% do valor de venda é pago no momento da contratação do pedido e o restante, 70%, é pago no porto, mediante entrega do lote.

Camargo Neto ressaltou a força do mercado interno. Disse que o consumo interno passou de 12 quilos per capita para 14 quilos. Ele comentou que o setor não está preocupado com o possível aumento do preço do milho, importante componente da ração animal.

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