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São Paulo, 2 - O presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abiove), Carlo Lovatelli, disse hoje esperar que os 193 países membros consigam um forte compromisso político na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP-15), entre os dias 7 e 18 de dezembro, em Copenhague. Estou mais otimista agora que China e Estados Unidos apresentaram suas propostas.

A iniciativa mostra uma posição mais ativa do presidente Obama", afirmou, após participar do Fórum sobre Copenhague e o Agronegócio Brasileiro, realizado hoje, em São Paulo.

Lovatelli contou que a delegação brasileira em Copenhague terá cerca de 600 pessoas, entre as quais estarão as 14 entidades representativas do agronegócio, florestas plantadas e bioenergia, que fazem parte da Aliança Brasileira pelo Clima (ABC). Segundo ele, o papel deste grupo será mostrar que o Brasil já está atuando para mitigar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e tem potencial de se capitalizar com estes projetos.

"Mas o assunto não será esgotado nesta COP-15. Nós precisamos de mais dados científicos para aprofundar esta discussão", avalia. Para o executivo, as decisões no COP-15 devem considerar a isonomia. "As metas firmadas em convenção só devem valer se os outros países se comprometerem", afirma.

Os representantes do agronegócio brasileiro realizarão duas reuniões durante a COP-15, nos dias 15 e 16 de dezembro, para apresentar o exemplo brasileiro com a moratória da soja, na qual as indústrias processadoras se comprometeram a não comprar a oleaginosa de áreas desmatadas após 2006, data em que o compromisso foi firmado. "Projeto que virou referência mundial para muitas organizações não-governamentais", afirma Lovatelli.

O gerente geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Rodrigo Lima, acredita que os resultados da conferência dependerão fortemente da posição norte-americana. "No COP-15, deveremos ter um acordo de 'meio do caminho', com um texto incompleto, porque há muitos pontos que ainda precisam ser definidos.

E isso é melhor que não ter um acordo, porque se não haveria uma corrida unilateral, em que cada país estabeleceria suas próprias normas", afirma. Entre estes pontos, ele destaca a proposta de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REED). "É preciso avançar na questão metodológica, definir como contabilizar os créditos provenientes do REED e quem terá direito a este benefício", explica.

O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Marcos Jank, concorda com Lovatelli, de que esta será uma "reunião muito política e de poucos resultados". Segundo ele, o Brasil tem condições de assumir a liderança nas discussões sobre o clima.

Ele considera que o País conta com setores comprometidos com a meta de reduzir as emissões, mas o governo também precisa adotar políticas ambientais que facilitem a implementação destes programas. "O Brasil tem mais a ganhar que perder com uma economia de baixo carbono. Temos 46% da matriz energética limpa e muitos exemplos de ações positivas para mitigar as emissões de GEE, como no caso da moratória da soja", conclui.

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