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Bariloche (Argentina), 21 out (EFE).- Diretores de agências de notícias de todo o mundo debateram hoje na Argentina os desafios da integração multimídia nas redações, um processo em "transição" mas sem retorno, não alheios a resistências e conflitos sindicais.

Bariloche (Argentina), 21 out (EFE).- Diretores de agências de notícias de todo o mundo debateram hoje na Argentina os desafios da integração multimídia nas redações, um processo em "transição" mas sem retorno, não alheios a resistências e conflitos sindicais. O debate foi colocado no painel "O desenvolvimento e a fluência multimídia nas redações", coordenado pelo presidente da Agência Efe, Álex Grijelmo, durante o 3º Congresso Mundial de Agências de Notícias, realizado até sexta-feira na cidade argentina de Bariloche. Para Tereza Cruvinel, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que engloba a Agência Brasil e outros veículos públicos, a integração multimídia não só requer investimento em tecnologia, como uma capacitação permanente na redação. "Além disso, devemos convencer os jornalistas que isto é o futuro", disse Tereza, que assinalou que, como esta integração ainda está em "transição", as empresas devem compreender que nem sempre "um bom redator de texto será bom para a produção audiovisual". A titular da EBC sustentou que a "resistência" de alguns jornalistas às "tarefas múltiplas" produziram "uma grande quantidade de ações judiciais" por parte dos sindicatos da imprensa, com "enormes custos financeiros" para as empresas. Neste sentido, advogou por cada país trabalhar de acordo com a Organização Internacional do Trabalho na regulação da atividade jornalística multimídia para evitar os processos judiciais. O catedrático espanhol Ramón Salaverría, que desde 2005 estuda os processos de integração e convergência na imprensa, concorda que a resposta dos jornalistas "não foi caracterizada pela vontade de mudança, mas por uma notável resistência". O especialista da Universidade de Navarra admitiu que neste fenômeno também existe uma "brecha" entre jornalistas veteranos e recém graduados, os denominados "nativos digitais", que entendem "como algo absolutamente lógico" utilizar as novas tecnologias. Para vencer estas resistências, segundo o especialista, é necessário formar jornalistas, renovar diretores, investir em tecnologia e reorganizar as empresas e, especificamente, as redações. Também é preciso derrubar o "mito do jornalista multimídia como o profissional que teria que se ocupar de tudo", algo "que não responde à realidade". Em sua opinião, nas redações integradas foram gerados dois perfis de jornalistas: os "mais polivalentes", que cumprem funções de repórteres e saem às ruas para registrar informações em múltiplos formatos, e os "especializados" que, dentro da redação, otimizam os conteúdos. Salaverría advertiu também que a "integração aconteceu em um contexto de crise econômica que levou algumas empresas a optarem pelo corte de empregos". EFE nk/tf

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