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Acordo afasta a incerteza de curto prazo, mas não resolve definitivamente o problema de longo prazo, diz

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O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Carlos Márcio Cozendey, afirmou hoje que o acordo fechado em torno do endividamento dos Estados Unidos ainda deixa muita margem para dúvidas. Segundo ele, o acordo afasta a incerteza de curto prazo, mas não resolve definitivamente o problema de longo prazo de sustentabilidade da dívida dos EUA. Por isso, segundo Cozendey, o debate político continuará nos próximos meses, embora menos intenso.

Sobre o impacto da decisão norte-americana na economia brasileira, Cozendey disse que vai depender de como o acordo evoluir. Ele acredita que há duas possibilidades de contágio da economia brasileira. A primeira, se houver redução das notas da dívida dos EUA que, segundo ele, "ninguém sabe exatamente que tipo de consequência pode haver". A segunda, o impacto direto na economia. "Há uma tendência mais contracionista. É um acordo que corta gastos, mas deixa uma segunda etapa ser resolvida até o final do ano", ponderou.

Pelo acordo que teria sido fechado ontem, conforme anúncio do presidente dos EUA, Barack Obama, haverá elevação do teto da dívida em duas etapas e um corte de gastos de quase US$ 900 bilhões durante dez anos. Também foi definido um comitê especial de parlamentares dos dois partidos que ficará encarregado de efetuar cortes para reduzir o déficit.

Para o secretário, ainda é uma situação muito difícil a longo prazo, porque o ajuste fiscal é necessário na economia norte-americana, mas não pode ser forte demais a ponto de "matar a economia". "Neste momento, a gente não sabe o que vem até o final do ano, quando o comitê terá que definir os cortes".

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