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Ex-presidente, que não costumava ser visto com bons olhos pelo mercado, deveria sair candidato em 2011

Ações e bônus argentinos subiam nesta quarta-feira, após a morte de Nestor Kirchner, ex-presidente e um dos políticos mais influentes do país, tirar da campanha eleitoral de 2011 um concorrente visto como pouco amigável aos mercados.

Um feriado na Argentina manteve os pregões locais fechados, mas investidores imediatamente tomaram ativos atrelados a dívida e a ações do país negociados nos mercados globais, após a notícia.

"Sinceramente, para a Argentina e de uma perspectiva de mercado não há nada melhor do que saber que Kirchner ficará fora da corrida presidencial do próximo ano", disse Roberto Sanchez-Dahl, que gerencia 1,1 bilhão de dólares em dívida de mercados emergentes pela Federated Investment Management, com sede em Pittsburgh.

"Por anos, seu estilo de confrontação com investidores, companhias e detentores de títulos privou a Argentina do capital bastante necessário."

De acordo com dados do Markit, o spread dos credit default swaps (CDS) da Argentina caiu 39 pontos, para 659 pontos-básicos.

A Argentina ainda está se recuperando da moratória de 100 bilhões de dólares ocorrida em 2002. Havia uma grande expectativa de que Kirchner, presidente entre 2003 e 2007, concorresse nas eleições de 2011.

Sua postura claramente crítica em relação a grandes empresas e rivais políticos não o fazia estimado entre investidores internacionais.

"Isso reduz os riscos políticos", disse Richard Segal, analista da Knight Libertas, em Londres.

O preço dos títulos da dívida reestruturada da Argentina denominada em dólar subiu. O spread entre o rendimento dos bônus argentinos e os Treasuries comparáveis recuava 50 pontos, para 530 pontos-básicos.

Inicialmente, os spreados haviam cedido até 70 pontos, de acordo com o índice ddo JP Morgan.

As ações do argentino BBVA Banco Frances SA subiam 4,6 por cento, enquanto as da Tele Argentina ganhavam 9,7 por cento.

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