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O banco Santander considera que doações para campanhas fazem parte do custo da sustentabilidade política. Questionado pelo iG sobre as mudanças na regulação das doações recém-promovidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o vice-presidente de assuntos corporativos da instituição, Pedro Paulo Longuini, disse que ¿o banco se preocupa com as práticas de sustentabilidade e as doações são o preço da sustentabilidade da democracia¿.

Segundo Longuini, sempre que o banco faz doações o faz por meio de partidos políticos e não a candidatos separadamente. No dia 2 de março, o TSE determinou que os partidos políticos terão de discriminar a origem e o destino dos recursos repassados a candidatos e comitês financeiros durante a campanha deste ano, o que poderá tornar mais difícil a prática das chamadas doações ocultas.

Fernando Martins, vice-presidente de marca do Santander, ressalvou que tudo que é feito (em termos de doações de campanha) é decidido pela matriz da instituição, na Espanha. Como somos um banco estrangeiro, essas ações são decididas por Madri. Se fazemos doações a um ou outro candidato, será decidido pela Matriz.

Menos exuberância

A acionista Oscar José Horta Filho, engenheiro, funcionário aposentado da Cosipa, pediu a palavra durante a primeira apresentação do Santander após a abertura de capital na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec SP). Apelou aos executivos para que a instituição não seja muito exuberante nas doações de campanha, porque o dinheiro é meu também. Carlos Lopes Galan, vice-presidente de finanças do banco riu e disse concordar, lembrando que também é acionista. Fazemos as análises, mas a decisão vem da matriz. Se decidirmos por uma doação não serão valores significativos, que irão afetar os resultados do banco, disse Longuini.

Horta Filho afirmou ter uma pequena carteira de ações do banco. Comprou seus papéis antes da posse do presidente Fernando Collor de Mello (1990) em uma agência do antigo Banespa (adquirido pelo Santander em 2000). O banco estava quebrado na época. Paguei uma mixaria, diz o acionista reconhecendo que, no longo prazo, fez um bom negócio.

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