Tamanho do texto

Brasília, 08 - A lista de bens norte-americanos a serem retaliados pelo Brasil em função do contencioso do algodão na Organização Mundial do Comércio (OMC) não é um fim, mas um meio para que os Estados Unidos retirem subsídios aos seus produtores de algodão que foram considerados abusivos pelo órgão internacional de solução de controvérsias. A avaliação foi feita esta tarde pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha.

"A retaliação é extremamente importante como mecanismo de pressão", afirmou Cunha, em entrevista coletiva em Brasília. Para ele, no entanto, a retaliação cruzada - o direito de um país limitar compras ou impor alíquotas de importação maiores a segmentos não diretamente relacionados à causa da queixa sobre subsídios -, que será definida posteriormente, é o maior trunfo brasileiro no caso. Ele aponta diretamente a quebra de patentes e de propriedade intelectual.

Segundo Cunha, a Abrapa, que instigou e apoiou o processo na OMC, tem o direito de apresentar ao governo brasileiro sua proposta de retaliação cruzada. O presidente da Abrapa ressalvou que ainda não chegou a uma conclusão sobre o tema. "Seja por meio de remessa de royalties, seja em quebra de patentes, com certeza vamos olhar nosso lado primeiro e estudar a situação com o Ministério da Agricultura para não darmos um tiro no pé."

Para o presidente da Abrapa, o setor farmacêutico é visto como um potencial segmento a ser utilizado nas negociações. "É onde sabemos que há uma sensibilidade muito grande nos Estados Unidos."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.