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A possibilidade de a China promover um aperto monetário se somou hoje às preocupações com a Grécia, levando as ações para baixo em escala mundial. O índice Bovespa da Bolsa de Valores de São Paulo até resistiu em alta em boa parte do dia, por causa do avanço das ações da Vale, mas a ampliação das perdas em Wall Street na hora final do pregão levou o Ibovespa a renovar as mínimas e se afastar dos 71 mil pontos.

A possibilidade de a China promover um aperto monetário se somou hoje às preocupações com a Grécia, levando as ações para baixo em escala mundial. O índice Bovespa da Bolsa de Valores de São Paulo até resistiu em alta em boa parte do dia, por causa do avanço das ações da Vale, mas a ampliação das perdas em Wall Street na hora final do pregão levou o Ibovespa a renovar as mínimas e se afastar dos 71 mil pontos.<p><p>O principal índice à vista terminou o pregão doméstico em queda de 0,43%, aos 70.792,94 pontos. Na mínima, registrou 70.531 pontos (-0,79%) e, na máxima, os 71.257 pontos (+0,23%). No mês, o Ibovespa tem ganho de 0,60% e, no ano, de 3,21%. O giro financeiro totalizou R$ 6,385 bilhões. Os dados são preliminares.<p><p>Os investidores reagiram negativamente hoje à notícia de que o governo chinês poderá promover um aperto monetário já nesse segundo trimestre, de modo a conter a alta forte do PIB do país e também impedir que a inflação saia do controle. A informação, que teria sido dada pelo conselheiro do Banco do Povo da China (PBOC), Li Daokui, ao jornal local China Securities News, segundo as agências de notícias, preocupa porque o país é a locomotiva da recuperação global e qualquer tipo de medida que resulte em menos expansão influencia o desempenho das demais economias.<p><p>Essa foi uma das razões para os preços das matérias-primas (commodities) recuarem na sessão de hoje. A outra foi a alta do dólar ante o euro, em razão das preocupações incessantes com a Grécia. O jornal Imerisia informou hoje que o déficit orçamentário do país deve chegar a 13,5% do PIB em 2009, quase um ponto porcentual acima das estimativas correntes. O governo grego negou a notícia.<p><p>O terceiro evento de peso no exterior foi o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, na Câmara de Comércio de Dallas. E ele repetiu o que já era de conhecimento público: embora a economia dos EUA tenha começado a crescer novamente, ela "está longe de estar fora de perigo".<p><p>O Dow Jones terminou o dia em queda de 0,66%, aos 10.897,52 pontos. O índice S&P 500 recuou 0,59%, aos 1.182,44 pontos, e o Nasdaq perdeu 0,23%, aos 2.431,16 pontos. Na Europa, o sinal negativo também predominou, puxado principalmente pelos papéis das empresas do setor de commodities. O índice FTSE-100, de Londres, perdeu 0,32%, fechando em 5.762,06 pontos. Em Paris, o CAC-40 recuou 0,67%, encerrando as operações em 4.026,97 pontos. Em Frankfurt, a queda do índice Dax foi de 0,48%, terminando o pregão em 6.222,41 pontos.<p><p>Na Bolsa de Metais de Londres (LME, na sigla em inglês), a maioria dos preços dos metais fechou em baixa, assim como o petróleo negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), que recuou 1,11% no contrato futuro com vencimento em maio, para US$ 85,88 o barril. No Brasil, as ações da Petrobras acompanharam a queda do preço do petróleo no exterior e terminaram em queda de 0,49% na ON e 0,78% na PN.<p><p>As ações da mineradora Vale, no entanto, operaram o dia todo na contramão dos metais, em alta, e os especialistas do mercado tiveram dificuldade em apontar uma única - e forte - justificativa para tal comportamento. O que mais se ouviu foi de que houve fluxo de estrangeiros para o papel por conta da notícia veiculada em jornal da China de que a empresa estaria em vias de abrir capital na Bolsa de Valores de Hong Kong. Outra explicação seria a de que os papéis estariam sendo opção de troca dos investidores para Petrobras. Vale ON subiu 1,01% e Vale PNA, 0,46%.
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