Lula x Flávio Bolsonaro: o que cada um propõe para a Fazenda

Durigan sinaliza continuidade da atual política econômica; oposição avalia nomes do mercado e uma nova estrutura ministerial para 2027

Ministério da Fazenda, em Brasília
Foto: Divulgação
Ministério da Fazenda, em Brasília

A condução da economia entrou de vez no segundo turno da eleição presidencial. Enquanto Dario Durigan, atual Ministro da Fazenda,  afirma que um eventual quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)  manteria a atual linha econômica, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL)  discute nomes do mercado financeiro e de antigos integrantes do governo Jair Bolsonaro para comandar a área a partir de 2027.

Durigan afirmou nesta quinta-feira (08) que não haverá um “cavalo de pau” na política econômica caso Lula seja reeleito. O ministro defendeu a manutenção do arcabouço fiscal e disse que o governo pretende buscar superávits primários crescentes a partir do próximo ano.

A declaração responde a uma das principais dúvidas abertas pelo segundo turno: se Lula mudaria a equipe ou a orientação econômica depois da eleição.

Até agora, não há confirmação de que Fernando Haddad (PT)  volte à Fazenda. Ele deixou o ministério em março para disputar o governo de São Paulo, e Durigan assumiu a pasta com respaldo direto de Lula.

Nos últimos dias, também surgiu a possibilidade de Geraldo Alckmin ocupar a Fazenda em um eventual novo mandato. A hipótese foi relatada pela Reuters, mas não houve anúncio oficial do governo.

Durigan, por sua vez, reforçou nesta quinta-feira que considera a atual política fiscal um caminho a ser continuado. Ele afirmou ainda que o programa de Lula preserva o arcabouço fiscal aprovado durante a gestão de Haddad.

Flávio mantém escolha da Fazenda em aberto

Do lado de Flávio Bolsonaro, a composição da equipe econômica ainda não está fechada.

Entre os nomes mencionados para a Fazenda estão Marcelo Kayath, ex-diretor do Credit Suisse, Alexandre Bettamio, executivo do Bank of America, além de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, e Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES.

Kayath ganhou espaço nas discussões da campanha e no mercado financeiro, mas afirma que nunca tratou diretamente com Flávio sobre assumir um ministério.

Em entrevista nesta semana, ele também rejeitou a possibilidade de atuar como uma espécie de novo “Posto Ipiranga”, expressão usada por Jair Bolsonaro para se referir a Paulo Guedes durante a campanha de 2018.

“Sou contra a ideia de ‘Posto Ipiranga’”, afirmou Kayath. Para ele, o ministro deve coordenar uma equipe técnica e ter capacidade de negociação política, em vez de concentrar sozinho as decisões econômicas.

A posição contrasta com a experiência do governo Jair Bolsonaro. Guedes acumulou áreas que anteriormente estavam divididas entre Fazenda, Planejamento, Indústria e Comércio e Trabalho no então Ministério da Economia.

Até agora, Flávio não confirmou que repetirá esse desenho.

Campanha discute redução de ministérios

O que já aparece com mais clareza é a intenção de reduzir a estrutura do Governo Federal.

A campanha trabalha com a possibilidade de diminuir o número de ministérios, atualmente em 38, para aproximadamente 25 em eventual governo Flávio. A reorganização ainda está em discussão e enfrenta resistência de setores que defendem a manutenção de áreas separadas, como Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Adolfo Sachsida, um dos responsáveis pela área econômica da campanha, também afirmou nesta quinta-feira que a proposta prevê redução de ministérios, corte de desperdícios e combate a supersalários no funcionalismo.

Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e uma das principais vozes econômicas da campanha, atua na articulação de nomes para um eventual governo. Ela chegou a aparecer entre as possibilidades para a Fazenda, mas passou a ser citada também para um ministério ampliado na área social.

Disputa econômica ganha peso no segundo turno

Além da escolha da equipe, Lula e Flávio passaram a confrontar diretamente seus planos fiscais.

Durigan criticou nesta quinta-feira a proposta atribuída à campanha de Flávio de fazer um ajuste de até R$ 200 bilhões nas despesas e afirmou que não está claro de onde sairiam os cortes.

A equipe de Flávio, por outro lado, promete reduzir despesas, impostos e o tamanho da máquina pública. Integrantes da campanha têm dito que programas sociais como Bolsa Família e BPC serão preservados.

As duas campanhas ainda não fecharam publicamente quem comandará a Fazenda em 2027.