Dólar pode cair e Bolsa subir após primeiro turno; entenda

Analistas veem espaço para valorização das ações e queda dos juros após números de Flávio Bolsonaro; cenário depende dos rumos da disputa eleitoral

Cenário depende dos rumos da disputa eleitoral
Foto: Imagem gerada por IA
Cenário depende dos rumos da disputa eleitoral

O dólar pode cair, a Bolsa subir e os juros futuros recuar nesta segunda-feira (5), na avaliação de analistas ouvidos pelo InfoMoney após o primeiro turno das eleições presidenciais. A expectativa reflete a votação de Flávio Bolsonaro (PL), que ficou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ampliou, na leitura desses profissionais, as chances de uma mudança na política econômica em 2027.  Os dois candidatos disputarão o segundo turno no dia 25 de outubro.

A realização de uma segunda votação já fazia parte dos cálculos dos investidores. O que surpreendeu foi a vantagem do candidato do PL, levando o mercado a revisar suas expectativas para os próximos meses.

Por que a eleição pode favorecer a Bolsa?

Segundo a análise publicada pela Folha de S.Paulo, profissionais do mercado associam uma eventual vitória de Flávio a maiores chances de ajuste nas contas públicas. Essa percepção pode estimular a compra de ações e reduzir as taxas exigidas pelos investidores para aplicar no país.

Varejistas, construtoras e bancos estão entre os setores que podem se beneficiar de um cenário de juros menores. Empresas mais dependentes do consumo e do crédito tendem a ganhar espaço nessa expectativa, embora a reação varie conforme a situação financeira de cada companhia.

O que pode fazer o dólar cair?

Uma das possibilidades apontadas pelos analistas é a entrada de recursos estrangeiros na Bolsa brasileira. Para comprar ativos locais, investidores precisam converter dinheiro em reais, movimento que pode favorecer a moeda nacional.

Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, disse ao InfoMoney que esse fluxo pode ajudar a conter o dólar no Brasil, mesmo quando a moeda americana ganha força no exterior. Porém, vale lembrar que a análise trata-se de uma projeção para o mercado, e não de uma queda garantida caso o cenário do primeiro turno seja repetido no segundo.

Renda fixa também pode ganhar valor

A mudança nas expectativas pode aparecer no saldo de quem já possui títulos públicos. Conforme explica o Tesouro Direto, quando os juros de mercado caem, o preço dos títulos tende a subir. Quando as taxas aumentam, ocorre o contrário.

Esse ajuste é chamado de marcação a mercado. Por isso, renda fixa não significa que o valor exibido na aplicação ficará estável todos os dias.

A oscilação importa especialmente para quem vende antes do vencimento: o retorno pode ser diferente daquele contratado na compra. Quem mantém o título até a data final recebe a rentabilidade prevista nas condições da aplicação, independentemente dessas variações intermediárias.

Otimismo ainda depende de propostas e execução

A reação inicial das cotações não resolve as dúvidas sobre a economia. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destacou ao InfoMoney que a sustentação do movimento dependerá de medidas concretas para as contas públicas.