Greve: Caixa reabre negociações e suspende corte de direitos

Segundo balanço do sindicato, mobilização teve forte adesão e continua; banco recua de medidas que ameaçavam benefícios dos trabalhadores

Agência da Caixa fechada, no centro de Belo Horizonte
Foto: Luís Felipe Granado/iG
Agência da Caixa fechada, no centro de Belo Horizonte

A Caixa concordou em reabrir as negociações com os grevistas e suspendeu as medidas de corte de benefícios.  A posição do banco é uma resposta do banco ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), que representam os trabalhadores das agências e de quatro unidades administrativas que cruzaram os braços.

A greve, que começou no sábado (12), um dia após a rejeição da proposta da Caixa nas assembleias , deve continuar enquanto não houver um acordo.

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Neste domingo (13), a coordenação do comando de greve apresentou um balanço das mobilizações e avaliar os últimos acontecimentos desde a recusa nas assembleias. Participaram da reunião representantes de diferentes áreas do sindicato, além do coletivo de dirigentes da Caixa Econômica Federal.

A avaliação inicial é de que a greve começou com forte adesão dos empregados. No primeiro dia, 245 das 283 agências da Caixa existentes na base da entidade ficaram fechadas, segundo os sindicalistas.

A paralisação também atingiu quatro unidades administrativas do banco na capital paulista: Sé, Brás, São Joaquim e Paulista .

Coordenadores das regionais do Sindicato informaram ainda que a mobilização teve grande participação dos bancários militantes e dos delegados sindicais nas comissões de esclarecimento e plenárias organizativas.

Situação agravada

Na avaliação do sindicato, mesmo diante da força demonstrada pelos empregados, a Caixa adotou uma postura que agravou o conflito com a categoria ; na sexta-feira (11), depois da rejeição da proposta apresentada pelo banco nas assembleias, a direção da empresa encaminhou às unidades um comunicado sobre a interrupção de uma série de direitos e benefícios que vinham sendo preservados enquanto uma nova negociação não era concluída, o que gerou apreensão e revolta nos empregados.

Para o movimento sindical, a comunicação adotada pela Caixa tem teor antissindical.

Ao anunciar a retirada de direitos justamente após uma decisão coletiva tomada pelos empregados em assembleia, o banco também cria pressão sobre a organização dos trabalhadores e sobre o próprio exercício do direito de negociação coletiva
Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região



No documento enviado às unidades, ainda segundo os sindicalistas, a Caixa sustenta que os ACTs relativos ao período 2024/2026 chegaram ao fim em 31 de agosto . Com a proposta mais recente não tendo sido aprovada pelos empregados, o banco afirma que as condições que estavam sendo aplicadas provisoriamente também não seriam mais mantidas.

Os efeitos anunciados pela empresa atingem diretamente a remuneração e benefícios dos empregados. Entre eles estão a suspensão da aplicação dos reajustes salariais e dos benefícios e a ausência do pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) nos parâmetros apresentados na proposta rejeitada.

O comunicado também apontava o encerramento de benefícios como auxílio-refeição e auxílio-cesta-alimentação.

Diante desse cenário, o Sindicato e a Contraf-CUT cobraram da Caixa a retomada das negociações e a preservação dos direitos dos empregados. Junto a isso, as entidades também defenderam separar o Saúde Caixa do ACT e continuar negociando o plano.

Retomada das negocições

A resposta da Caixa à cobrança dos sindicalistas foi a reabertura das negociações e a suspensão das medidas de corte dos benefícios o que, para o sindicato e a Contraf-CUT, reflete a força do movimento junto às entidades representativas.


Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, se manifestou em publicação do sindicato destacando a relevância da continuidade das tratativas.

É importante reabrir as negociações e garantir os direitos que estão na Convenção Coletiva de Trabalho. O que vai resolver a campanha é o diálogo, a Caixa ouvir os trabalhadores e apresentar saída negociada para o impasse. A manutenção da ultratividade do acordo é fundamental para assegurar os benefícios e direitos. Ainda não temos mais informações sobre a negociação, mas estaremos continuamente atualizando a categoria sempre que possível
Neiva Ribeiro, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários


Nesta segunda-feira (14), o Comando Nacional dos Bancários realiza nova reunião para definir ações conjuntas. O comando de greve também marcou reuniões online, às 16h, com cada uma das regionais do Sindicato para dialogar com os trabalhadores, definir ações e discutir calendário. 

Francisco Pugliesi, secretário executivo do Sindicato e coordenador do coletivo de dirigentes da Caixa, afirmou que as regionais do Sindicato estarão abertas para receber os empregados, prestar orientação, disponibilizar materiais sobre a greve e fortalecer a organização da categoria. A greve continua.