
Os Correios abriram uma nova rodada do Plano de Demissão Voluntária (PDV), desta vez com potencial para alcançar cerca de 7 mil funcionários . As inscrições começaram nesta quinta-feira (20) e ficarão abertas até setembro.
Diferentemente do programa anterior, a nova iniciativa será direcionada exclusivamente a empregados que trabalham em unidades previstas para serem extintas como parte do plano de reestruturação da estatal.
Mil unidades estão na mira
A empresa pretende fechar cerca de mil pontos, entre agências e estruturas usadas para tratamento e armazenamento de encomendas e cargas.
Com isso, o novo PDV foi desenhado para atender principalmente os funcionários dessas unidades. A direção dos Correios não estabeleceu uma meta de adesão desta vez.
A estratégia ocorre depois de uma primeira rodada do programa, realizada neste ano, ter ficado abaixo da expectativa. Lançado em fevereiro e encerrado em março, o PDV tinha como objetivo alcançar 10 mil empregados, mas recebeu 3.075 adesões.
Apesar da diferença, os Correios afirmam que o programa anterior gerou uma economia equivalente a 45% da meta de R$ 1,4 bilhão estabelecida pela empresa.
Quanto os funcionários podem receber
O valor do incentivo financeiro varia de acordo com a situação de cada empregado. Entre os critérios considerados estão tempo de serviço, idade, adicionais relacionados à aposentadoria e outros direitos previstos no regulamento.
Nesta nova rodada, o incentivo será um pouco menor que o oferecido anteriormente e terá um teto, cujo valor ainda está sendo definido.
De acordo com as regras divulgadas, o pagamento pode variar de R$ 24,4 mil a R$ 459 mil, feito em parcela única. O depósito deve ocorrer até o décimo dia do mês seguinte ao desligamento.
O valor do incentivo também não terá incidência de Imposto de Renda nem recolhimento de FGTS.
Empresa tenta reduzir prejuízos
A nova rodada de desligamentos faz parte de um pacote maior de medidas para tentar reorganizar financeiramente os Correios.
A estatal registrou prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, resultado 82,35% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.
As despesas com pessoal estão entre os principais gastos da empresa, o que torna a redução da folha uma das frentes do plano de reestruturação.
Além dos cortes de despesas, os Correios também estudam novas parcerias com empresas privadas para aumentar as receitas.
Meta é sair do vermelho em 2027
O governo prevê uma situação ainda mais difícil para a estatal ao longo de 2026. A estimativa é de que o prejuízo anual chegue a cerca de R$ 10 bilhões.
A promessa, no entanto, é que o conjunto de medidas permita aos Correios recuperar o equilíbrio financeiro em 2027.
Em nota, a empresa afirmou que o novo PDV faz parte de um processo de reestruturação e busca adequar o quadro de funcionários à nova organização da estatal.
A expectativa agora é que os trabalhadores das unidades que serão encerradas avaliem as condições oferecidas e decidam se vão aderir ao programa.