Como liberar o FGTS na Justiça? Mudança vai unificar regras

Novas diretrizes definem onde dar entrada na ação judicial para resgatar o Fundo de Garantia quando a Caixa ou a empresa negam o saque

Aplicativo do FGTS
Foto: Agência Brasil
Aplicativo do FGTS

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) analisa qual ramo da Justiça deve julgar ações relacionadas ao saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A discussão acontece no chamado Tema 32 , que busca definir a competência para analisar pedidos de trabalhadores que precisam recorrer à Justiça para conseguir liberar os valores .

A questão surgiu porque os tribunais tinham entendimentos diferentes sobre qual Justiça deveria cuidar desses processos. Com o julgamento, o TST busca uniformizar as decisões e dar mais segurança jurídica para casos semelhantes.

O que é o FGTS?

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi criado para proteger o trabalhador em situações como demissão sem justa causa, aposentadoria e outras situações previstas pela lei .

Todos os meses, as empresas devem depositar o equivalente a 8% do salário do trabalhador contratado pelo regime CLT em uma conta vinculada ao fundo. Esse valor é uma obrigação do empregador e não deve ser descontado do salário  do funcionário .

Além de funcionar como uma reserva financeira para o trabalhador, os recursos do FGTS também são utilizados para financiar projetos de habitação, infraestrutura e operações de microcrédito.

Como pode ficar a divisão?

A discussão considera que o motivo do saque deve ser usado para definir qual ramo da Justiça deve analisar o processo.

Quando o pedido for diretamente ligado ao contrato de trabalho, a ação poderá ficar na Justiça do Trabalho . Em exemplos como:

  • demissão sem justa causa;
  • rescisão indireta;
  • rescisão por acordo entre empregado e empregador;
  • encerramento das atividades da empresa.

Nessas situações, o direito de movimentar o FGTS está relacionado ao vínculo entre trabalhador e empresa e pode depender da análise de questões trabalhistas.

Já em casos que o motivo do saque não depende da relação de emprego podem ser analisados pela Justiça comum, como:

  • aposentadoria;
  • doença grave;
  • financiamento habitacional;
  • calamidade pública;
  • falecimento do trabalhador.

Nesses casos, a discussão não envolve uma questão trabalhista. O que precisa verificar é se o trabalhador ou seus dependentes atendem aos requisitos previstos na legislação para movimentar a conta do FGTS .

Por que o assunto está em análise?

Investigação, estudo, análise, fraude
Foto: shutterstock
Investigação, estudo, análise, fraude

Ela chegou ao tribunal porque existiam diferentes decisões sobre qual Justiça deveria analisar os pedidos de saque.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por exemplo, já decidiu em situações anteriores que algumas ações envolvendo a movimentação do FGTS deveriam ser analisadas pela Justiça Federal quando havia dificuldade da Caixa Econômica Federal.

Já o TST vinha adotando um entendimento diferente em processos trabalhistas relacionados ao Fundo.

O Tema 32 busca justamente definir um entendimento para esses casos e evitar que situações parecidas sejam encaminhadas para ramos diferentes da Justiça.

O processo tem como relator o ministro Cláudio Mascarenhas Brandão e trata da competência da Justiça do Trabalho para analisar pedidos de levantamento do saldo do FGTS.

As regras para sacar o FGTS vão mudar?

Não, a discussão no TST não altera as situações previstas na lei que permitem retirar o dinheiro.

O trabalhador continua podendo sacar o FGTS nas modalidades já previstas:

  1. demissão sem justa causa;
  2. aposentadoria;
  3. compra da casa própria;
  4. doenças graves;
  5. calamidade pública;
  6. saque-aniversário;
  7. falecimento do trabalhador, seguindo as regras para dependentes ou sucessores;
  8. outras situações previstas em lei.

A mudança em discussão está relacionada apenas ao caminho judicial que deve ser seguido quando existe algum problema para liberar o dinheiro e o trabalhador precisa recorrer à Justiça.

E quem ja tem um processo?

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2 - Quando uma das partes não consegue prestar devidas informações, acontece a negativa de prestação jurisdicional, responsável mencionada em 39,811 mil processos

Os processos que já estão na Justiça também serão afetados pela definição do TST, mas ainda é cedo para afirmar que todos serão transferidos de um tribunal para outro.

Isso acontece porque o Tema 32 ainda está aguardando julgamento. Atualmente, processos relacionados à questão estão suspensos até que o tribunal defina qual será o entendimento aplicado aos casos.

Por isso, quem já entrou com uma ação deve acompanhar o processo se for necessário, buscar orientação jurídica sobre como a decisão do TST poderá afetar o caso.

O trabalhador precisa fazer alguma coisa?

Para quem não tem processo na Justiça, até o momento nada. O trabalhador deve continuar seguindo as regras da modalidade de saque do FGTS a que tem direito.

Já quem teve dificuldade para liberar o saldo e pretende entrar com uma ação deve verificar primeiro qual é o motivo do saque. Essa informação será importante para definir o caminho do processo. A decisão do TST também busca acabar com as divergências entre os tribunais e deixar mais claro como esses casos devem ser analisados .

*Estagiária sob supervisão