
O cachorro que antes ficava no quintal de casa agora dorme na cama. Ganha festa de aniversário, ocupa espaço nas fotografias da família e, cada vez mais, tem uma alimentação escolhida com o mesmo cuidado dedicado ao restante da casa. Essa mudança de comportamento também transformou a indústria pet. Ao completar 25 anos, a Special Dog Company se prepara para uma nova fase de expansão, com investimento em tecnologia, sustentabilidade e novos produtos.
A trajetória da empresa foi apresentada durante um jantar realizado essa semana, em São Paulo. Em formato de bate-papo, representantes da companhia falaram sobre os planos para os próximos anos e as mudanças observadas no mercado brasileiro.
Fundada em 2001, em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, a Special Dog começou com apenas dois produtos. Hoje, o portfólio reúne alimentos secos, úmidos, petiscos e opções voltadas às categorias premium, premium especial e super premium natural.
De acordo com a empresa, mais de 5 milhões de cães e gatos são alimentados diariamente com seus produtos. A operação também conta com mais de 2 mil colaboradores, uma força comercial de aproximadamente 500 pessoas e presença em mais de 40 mil pontos de venda.
Quando o pet passa a dormir na cama
Durante o encontro, Priscila Manfrim, diretora administrativa da Special Dog, destacou que o crescimento do setor não pode ser explicado só pelo aumento no número de animais dentro dos lares. A relação entre os tutores e os pets também mudou.
“O pet que antes ficava fora de casa passou a dormir na cama do tutor. Então, essa é a evolução”, afirmou.

Segundo a executiva, o mercado teve uma forte expansão durante a pandemia, entre 2020 e 2022, mas entrou posteriormente em um período de estabilização. A expectativa da companhia não é de um novo crescimento explosivo, mas de uma mudança na maneira como os consumidores escolhem os produtos.
“O consumidor quer saber de onde o ingrediente vem, se ele vai fazer bem ou mal para o seu pet por conta da humanização do pet. Então, ele trata o pet cada vez mais como filho e parte da família”, disse.
Esse movimento é chamado pelo setor de “premiumização”. Na prática, significa que os tutores estão mais dispostos a buscar alimentos específicos, ingredientes funcionais e opções relacionadas à saúde, ao bem-estar e à longevidade dos animais.
Somente o segmento de alimentação para pets movimentou mais de R$ 40 bilhões no Brasil em 2025, segundo os dados apresentados pela companhia. O país ocupa a terceira posição entre os maiores mercados de pet food do mundo, atrás dos Estados Unidos e da China.
Nova fábrica terá investimento de R$ 300 milhões
Para ampliar a operação, a Special Dog está construindo um novo parque fabril em Mateus Leme, cidade localizada a cerca de 70 quilômetros de Belo Horizonte, em Minas Gerais.
O projeto receberá investimento de aproximadamente R$ 300 milhões e deverá gerar até 200 empregos em sua primeira etapa. O início da operação, inicialmente previsto para o segundo semestre de 2026, foi adiado para o começo de 2027.
A nova unidade começará com capacidade de produção de 5 mil toneladas por mês, mas poderá chegar a 10 mil toneladas mensais. O foco será a fabricação de alimentos secos e snacks.
A localização foi escolhida para facilitar o acesso a mercados considerados estratégicos, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de apoiar a expansão para Espírito Santo, Bahia e outras regiões do país.
Atualmente, a maior presença da empresa está concentrada nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Para os próximos três a cinco anos, a companhia pretende aumentar a distribuição no Norte e no Nordeste.
Sustentabilidade também chegou às embalagens
Outro eixo apresentado pela empresa foi a estratégia de sustentabilidade, conduzida há 11 anos. João Paulo Figueira, gerente de Desenvolvimento Sustentável da Special Dog Company, afirmou que a companhia busca conciliar crescimento e responsabilidade socioambiental.
“Na Special Dog, a gente acredita exatamente no contrário: que é através de um desenvolvimento sustentável que a gente garante perenidade aos negócios”, declarou.
A empresa afirma ter atingido um índice de 99,98% de reciclabilidade dos resíduos em 2025. A meta é alcançar 100% até o fim deste ano.