Brasileiro vai a audiência pública americana debater Pix

Até o momento, professor de Economia da FGV é o único brasileiro inscrito para participar da sessão, prevista para o próximo dia 6 de julho

Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Foto: Redes sociais
Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

O governo dos Estados Unidos vai realizar uma audiência pública para discutir temas relacionados ao Pix. A discussão está marcada para o dia 6 de julho e foi agendada após uma investigação que acusa o governo brasileiro de práticas que prejudicam o comércio americano.

A investigação foi iniciada há cerca de um ano, em julho de 2025, por determinação do presidente americano, Donald Trump (Republicanos).

Ela não trata apenas sobre o Pix , mas também sobre questões relacionadas ao desmatamento ilegal, pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, entre outras.

Os EUA ainda propõem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Por outro lado, a audiência busca ouvir representantes de organizações de ambos os países antes de decidir se a medida será colocada em prática.

Os brasileiros podem enviar comentários sobre a investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e participar da sessão.

Até o momento, apenas um brasileiro está inscrito na audiência. Ele é Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em entrevista à Rádio CBN, na manhã desta quarta-feira (17), o professor afirmou estar surpreso em ser o único brasileiro inscrito.

Sim, me surpreende a princípio, sim, é uma investigação muito ampla que não fala somente do Pix, ela fala de desflorestamento, fala de medidas anticorrupção, sanções sobre certos ativos e certos produtos, então era de se imaginar que muitas pessoas estivessem inscritas para defender uma área ou outra."
Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Ainda de acordo com o professor, a investigação feita pelo governo americano está dentro da legalidade e não cabe aos brasileiros discutir se ela é válida ou não. Porém, o Brasil precisa apresentar uma defesa.

Esse é um processo totalmente legal. Ele foi instituído no ano passado, logo após as tarifas que o Trump determinou contra o Brasil de forma abrupta. Então esse processo de investigação está seguindo todo o rito da justiça norte-americana . Eu acredito que, independentemente de ele ser válido ou não, vale se posicionar para que não tenha o risco de perder o processo à revelia ou por não apresentar uma certa defesa. Não devemos julgar o mérito desse processo, se ele é válido ou não, mas sim nos defendermos nas instâncias responsáveis."
Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

O economista também afirmou que não vai apresentar uma defesa do Brasil ou uma defesa do Pix, mas sim levar a discussão para um campo técnico.

Eu sou professor de economia minha área de estudo abrange principalmente essa parte de infraestrutura do sistema financeiro, e o Pix se enquadra como uma infraestrutura, não só um meio de pagamento. Então minha ideia é levar essa discussão para um campo técnico. Eu não vou levar uma defesa do Brasil ou uma defesa do Pix, mas sim esclarecer uma série de características e qualidades muito boas que o Pix trouxe não só para o Brasil e para os brasileiros, mas para o comércio, para a indústria e para o mercado financeiro no Brasil."
Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

A infraestrutura do Pix, segundo o professor, ajuda também as empresas americanas, não somente o Brasil.

Isso ajuda não só o Brasil, mas o comércio de empresas americanas aqui dentro. Então eu acredito que, levando um discurso técnico, podemos dirimir algumas dúvidas dos americanos e de outras pessoas que não conhecem o sistema por inteiro."
Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Os brasileiros que quiserem participar da audiência têm até o dia 22 de junho para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública. O documento tem que ser acompanhado de um resumo do depoimento.

O prazo para envio de comentários termina em 1º de julho.

Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)
Foto: Redes sociais
Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)


Tarifa

Os Estados Unidos  propuseram uma tarifa sobre produtos brasileiros após concluírem uma investigação comercial contra o Brasil. A recomendação foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos ( USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo o órgão, algumas políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro estariam prejudicando empresas e exportadores americanos. Com o fim da investigação, os EUA abriram uma consulta pública antes de decidir se a medida será colocada em prática.

A proposta prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado americano. Caso seja confirmada, a cobrança pode aumentar os custos para exportadores brasileiros que têm os Estados Unidos como um dos principais destinos de venda.

A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump. Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua, mas ainda existem divergências em temas considerados importantes.

O que os EUA criticam

Entre os principais pontos estão decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, o funcionamento do Pix, acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas à propriedade intelectual.

No caso do Pix, os americanos alegam que o Banco Central favorece o sistema de pagamentos brasileiro em relação a empresas estrangeiras do setor.

O documento também afirma que o Brasil demora para analisar pedidos de patentes, tem falhas no combate à pirataria e à falsificação de produtos e não adota medidas suficientes para combater a corrupção.