
O governo dos Estados Unidos vai realizar uma audiência pública para discutir temas relacionados ao Pix. A discussão está marcada para o dia 6 de julho e foi agendada após uma investigação que acusa o governo brasileiro de práticas que prejudicam o comércio americano.
A investigação foi iniciada há cerca de um ano, em julho de 2025, por determinação do presidente americano, Donald Trump (Republicanos).
Ela não trata apenas sobre o Pix , mas também sobre questões relacionadas ao desmatamento ilegal, pirataria, falhas na aplicação de leis anticorrupção, entre outras.
Os EUA ainda propõem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Por outro lado, a audiência busca ouvir representantes de organizações de ambos os países antes de decidir se a medida será colocada em prática.
Os brasileiros podem enviar comentários sobre a investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e participar da sessão.
Até o momento, apenas um brasileiro está inscrito na audiência. Ele é Gustavo Pessoa, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Em entrevista à Rádio CBN, na manhã desta quarta-feira (17), o professor afirmou estar surpreso em ser o único brasileiro inscrito.
Ainda de acordo com o professor, a investigação feita pelo governo americano está dentro da legalidade e não cabe aos brasileiros discutir se ela é válida ou não. Porém, o Brasil precisa apresentar uma defesa.
O economista também afirmou que não vai apresentar uma defesa do Brasil ou uma defesa do Pix, mas sim levar a discussão para um campo técnico.
A infraestrutura do Pix, segundo o professor, ajuda também as empresas americanas, não somente o Brasil.
Os brasileiros que quiserem participar da audiência têm até o dia 22 de junho para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública. O documento tem que ser acompanhado de um resumo do depoimento.
O prazo para envio de comentários termina em 1º de julho.

Tarifa
Os Estados Unidos propuseram uma tarifa sobre produtos brasileiros após concluírem uma investigação comercial contra o Brasil. A recomendação foi anunciada nesta segunda-feira (1º) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos ( USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
Segundo o órgão, algumas políticas e práticas adotadas pelo governo brasileiro estariam prejudicando empresas e exportadores americanos. Com o fim da investigação, os EUA abriram uma consulta pública antes de decidir se a medida será colocada em prática.
A proposta prevê uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros vendidos ao mercado americano. Caso seja confirmada, a cobrança pode aumentar os custos para exportadores brasileiros que têm os Estados Unidos como um dos principais destinos de venda.
A investigação foi aberta em julho de 2025 por determinação do presidente Donald Trump. Segundo o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o diálogo com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua, mas ainda existem divergências em temas considerados importantes.
O que os EUA criticam
Entre os principais pontos estão decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, o funcionamento do Pix, acordos comerciais firmados pelo Brasil com México e Índia, combate ao desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas à propriedade intelectual.
No caso do Pix, os americanos alegam que o Banco Central favorece o sistema de pagamentos brasileiro em relação a empresas estrangeiras do setor.
O documento também afirma que o Brasil demora para analisar pedidos de patentes, tem falhas no combate à pirataria e à falsificação de produtos e não adota medidas suficientes para combater a corrupção.