Bolsa sobe e dólar cai, de olho nos juros no Brasil e nos EUA
Reprodução/Pixabay
Bolsa sobe e dólar cai, de olho nos juros no Brasil e nos EUA


O Ibovespa fechou em forte queda pressionando pelo aumento das tensões no Oriente Médio. O principal índice da B3 recuou 3,3%, enquanto o dólar avançou e encerrou o dia cotado a R$5,27, nesta terça-feira (3).

O movimento ocorreu devido ao temor global diante da escalada do conflito envolvendo o Irã , o que aumentou a aversão ao risco nos mercados internacionais. Investidores buscaram proteção em ativos considerados mais seguros, como a moeda dos Estados Unidos, que se fortaleceu globalmente.

No exterior, bolsas internacionais também registraram perdas relevantes, enquanto os preços do petróleo dispararam com risco de interrupção no fluxo da commodity pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte do mundo. A valorização da matéria-prima reacendeu temores de pressão inflacionária global.

Para Bruno Shahini, especialista em investimento da Nomad, o dia foi marcado por uma clara mudança de humor nos mercados.

“A escalada das tensões no Oriente Médio e o risco de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz reacenderam temores inflacionários globais e colocaram os investidores em modo defensivo. No Brasil, o movimento recuou cerca de 3%, refletindo a aversão ao risco que se espalhou pelas bolsas internacionais, enquanto o dólar avançou aproximadamente 2% frente ao real, acompanhando a valorização global da moeda americana", explicou. 



A alta do petróleo pode pressionar os combustíveis nas próximas semanas, dependendo da política de preços adotada no Brasil. Caso os reajustes se confirmem, o efeito pode se espalhar para outros setores da economia, elevando custos e impactando a inflação. Shahini cita que alta expressiva do petróleo e o salto da volatilidade reforçaram a busca por proteção.

"Levando à redução de posições em ativos de risco e ao fortalecimento do dólar, no movimento ‘flight to quality' ".

O que é flight to quality?

O termo flight to quality significa, em tradução livre, “fuga para a qualidade”. Na prática, é um movimento típico de momentos de crise ou instabilidade global, quando investidores retiram recursos de ativos considerados mais arriscados como ações e moedas de países emergentes e direcionam o dinheiro para aplicações vistas como mais seguras.

Entre esses ativos estão títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o próprio dólar. O movimento costuma ocorrer em cenários de guerra, crises financeiras ou incertezas políticas relevantes.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que o real sofre desvalorização em dias de forte tensão externa, mesmo quando não há mudanças estruturais na economia brasileira.

O que esperar agora?

Analistas avaliam que o mercado deve continuar volátil enquanto persistem dúvidas sobre o desdobramento do conflito no Oriente Médio. Investidores seguem atentos a eventuais anúncios, possíveis sanções e aos próximos indicadores econômicos globais.

No Brasil, também entram no radar dados de inflação e sinalização do Banco Central sobre política monetária, fatores que podem influenciar o câmbio por risco nas próximas sessões.

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