
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em janeiro, mesma variação registrada em dezembro, mas a inflação acumulada em 12 meses acelerou para 4,44%.
O avanço mensal foi puxado principalmente pelos preços de transportes, enquanto habitação e vestuário ajudaram a conter o índice.
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o resultado de janeiro ficou acima do registrado no mesmo mês do ano passado, quando o índice foi de 0,16%.
Transportes lideram impacto no mês
O grupo Transportes avançou 0,60% em janeiro e respondeu pelo maior impacto individual no índice do mês, com contribuição de 0,12 ponto percentual.
O principal vetor foi a alta de 2,14% nos combustíveis, com destaque para a gasolina, que subiu 2,06% e exerceu impacto de 0,10 ponto percentual no resultado geral.
Também tiveram aumento o etanol (3,44%), o óleo diesel (0,52%) e o gás veicular (0,20%).
Ainda dentro do grupo, o ônibus urbano registrou alta de 5,14%, o que levou a reajustes tarifários aplicados em diversas capitais.
Em Fortaleza, o aumento foi de 20,00%, com impacto de 15,87%, a partir de 1º de janeiro.
Em São Paulo, a tarifa subiu 6,00%, com variação de 9,18%, em vigor desde 6 de janeiro, já considerando as gratuidades aos domingos e feriados.
No Rio de Janeiro, o reajuste foi de 6,38%, com impacto de 5,32%, a partir de 4 de janeiro.
Também houve aumentos em Salvador (5,36%), Belo Horizonte (8,70%) e Vitória (4,16%).
Em Curitiba, a variação foi de 1,85%, influenciada pela redução tarifária aos domingos e feriados.
Em Brasília, a alta de 3,83% refletiu o mesmo fator, assim como em Belém, onde a variação foi de 8,43%.
O metrô subiu 1,87%, com influência do reajuste de 3,83% em Brasília e de 3,85% em São Paulo, vigente desde 6 de janeiro.
O mesmo percentual foi aplicado ao trem na capital paulista, que variou 1,56%. A integração do transporte público em São Paulo registrou alta de 6,88%.
O subitem táxi avançou 1,47%, o que impactou reajustes em Rio Branco (28,49%), Fortaleza (18,70%), Rio de Janeiro (4,92%) e Salvador (4,53%).
Em sentido oposto, os principais impactos negativos no grupo vieram do transporte por aplicativo (-17,23%) e da passagem aérea (-8,90%), após altas expressivas observadas em dezembro.
Comunicação e saúde registram altas; alimentação desacelera
O grupo Comunicação apresentou a maior variação entre os grupos em janeiro, com alta de 0,82%.
O resultado foi influenciado pelo aumento de 2,61% nos aparelhos telefônicos e por reajustes em planos de serviços, com reflexos na tv por assinatura (1,34%) e no combo de telefonia, internet e tv por assinatura (0,76%).
Em Saúde e cuidados pessoais, a variação foi de 0,70%, a segunda maior do mês. O avanço foi puxado pelos itens de higiene pessoal, que subiram 1,20%, e pelos planos de saúde, com alta de 0,49%.
O grupo Alimentação e bebidas desacelerou de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro.
A alimentação no domicílio variou 0,10%, abaixo dos 0,14% do mês anterior, com influência das quedas do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%).
Entre as altas, se destacaram o tomate (20,52%) e as carnes (0,84%), com maior preferência por cortes como contrafilé (1,86%) e alcatra (1,61%).
A alimentação fora do domicílio também apresentou desaceleração, passando de 0,60% em dezembro para 0,55% em janeiro.
A refeição subiu 0,66%, enquanto o lanche variou 0,27%, após alta de 1,50% no mês anterior.
Energia elétrica puxa queda em habitação e diferenças regionais
O grupo Habitação recuou 0,11% em janeiro, com impacto negativo de 0,11 ponto percentual no IPCA. O resultado foi influenciado principalmente pela queda de 2,73% na energia elétrica residencial.
Em dezembro, vigorava a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Em janeiro, passou a vigorar a bandeira verde, sem custo adicional.
Também houve efeito do reajuste tarifário de 10,48% em Rio Branco, em vigor desde dezembro.
A taxa de água e esgoto subiu 2,56%, o que refletiu em reajustes aplicados em São Paulo, Campo Grande, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro.
O gás encanado avançou 0,95%, influenciado pelo reajuste de 4,10% em São Paulo, parcialmente compensado por redução tarifária no Rio de Janeiro.
Entre as regiões pesquisadas, a maior variação do IPCA em janeiro foi registrada em Rio Branco, com alta de 0,81%, influenciada pelo aumento da energia elétrica residencial e dos artigos de higiene pessoal.
A menor variação ocorreu em Belém, onde o índice subiu 0,16%, impactado pelo recuo da energia elétrica residencial e da passagem aérea.
O IPCA é calculado desde 1980 e mede a variação de preços para famílias com rendimento mensal de um a 40 salários mínimos, abrangendo dez regiões metropolitanas, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.
Para o índice de janeiro, foram comparados os preços coletados entre 30 de dezembro de 2025 e 29 de janeiro de 2026 com aqueles vigentes de 29 de novembro a 29 de dezembro de 2025.