
Diante da ação dos Estados Unidos no território venezuelano, registrada na madrugada deste sábado (3), e ainda com o impacto geopolítico indefinido, o preço do petróleo deve oscilar em um primeiro momento.
A afirmação é do economista Cícero Pimenteira, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que, a pedido do Portal iG, fez uma análise do impacto do ataque.
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A ação, segundo o especialista, feriu o Direito Internacional e a soberania da Venezuela . Para ele, os Estados Unidos tomaram uma ação neocolonial e, dessa forma, estão garantindo para si um mercado cativo de fornecimento de petróleo bruto .
Isso interfere também em outros mercados, como da Índia e da China, que compram Venezuela, da própria Rússia, da Europa . A Venezuela possui a maior reserva de petróleo atualmente no mundo.
Risco para os países do BRICS
Avaliando o mercado petrolífero, Pimenteira diz que a retirada de Maduro do comando da Venezuela
, ao mesmo tempo em que abre o fornecimento de petróleo para os Estados Unidos, pode fechar para os países BRICS, como China, Índia, Rússia e, eventualmente, até para o Brasil.
"Então, isso deve oscilar bastante o preço do petróleo, nesse primeiro momento",
estima o economista.
Ainda conforme análise de Cícero Pimenteira, há o risco da intervenção na Venezuela ser adotada por Trump também em outros países, incluindo Colômbia e Brasil. Para ele, todos os países que não são governados por representantes da direita tendem a ficar sob a ótica trumpista, pelo menos por mais de três anos.
"Isso é muito preocupante. Temos que observar que toda a operação trumpista de prisão do Nicolás Maduro foi feita sem o aval do Congresso americano. Ou seja, desrespeitando a própria Constituição, que é um pilar da democracia americana", ressaltou. "Então, qual será a escalada desse movimento trumpista?"
, indagou.
Risco do fim da ONU
Ainda na avaliação de Pimenteira, a ação de Trump em busca da exploração do petróleo venezuelano registrada neste sábado pode marcar o fim da Organização das Nações Unidas (ONU) .
"Hoje pode ser a data do falecimento da ONU, como foi antigamente com o Tratado de Versalhes e outros acordos de governança entre países. Não podemos esquecer que o pacto, a Liga das Nações, que existiu antes da ONU, também começou a declinar e ser desrespeitada gradativamente, até perder totalmente o seu poder de influência", comparou, mencionando a primeira organização internacional criada com o objetivo de manter a paz mundial e evitar guerras.
"E os países que mais têm poder junto à ONU, que são os Estados Unidos, Rússia e China, são países que fazem de tudo para minar os esforços das demais nações de manter a ONU e aquilo que ela representa de pé", acrescentou.
Para ele, o mundo passa por um momento crucial.
"Existem dois aspectos políticos e energéticos para serem observados. O aspecto político é o americano ter uma grande área de influência sobre a América Latina, Caribe e, eventualmente, tentar chegar no Canadá, que ainda tem um pouco de força para peitar o americano. Seria aí a grande reserva de petróleo: o Canadá é uma das grandes reservas de petróleo. Por outro aspecto, o americano está tentando garantir a sua segurança energética e o seu mercado cativo para escoar seus produtos. Nada que já não tenha sido feito no mundo e não tenha sido pensado", enfatiza.