
A Isover, empresa do grupo francês Saint-Gobain, vai fechar a fábrica de lã de vidro que opera há 70 anos em Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo, até o dia 31 de julho de 2026. A decisão foi formalizada em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público Estadual (MPSP) e a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb), no último dia 22 de dezembro. A vizinhança alega que as máquinas fazem barulho durante toda a madrugada, emitem fumaça e mau cheiro.
O TAC é resultado de um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público para investigar denúncias de moradores da região que reclamam de incômodos provocados por ruídos e emissão de poluentes.
Em março de 2023, a população local encaminhou uma petição à Cetesb , solicitando a suspensão da fumaça. Após a reclamação, o MPSP passou a investigar o caso.
Nesse meio tempo, a Cetesb emitiu multas e advertências contra a Saint-Gobain por emissão irregular de odores e ruídos.
Em junho deste ano, houve uma audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo para discutir o caso. Nenhum representante da Saint-Gobain esteve presente na reunião.
Portas fechadas
Cerca de 150 funcionários atuam hoje na fábrica do grupo na capital paulista
, que produz materiais de isolamento térmico e acústico para a construção civil, indústria automotiva, agronegócio e infraestrutura de data centers.
Ao todo, a multinacional conta com mais de 9 mil colaboradores em 39 países e mantém 60 fábricas em 28 nações.
Ainda segundo informações no site oficial do grupo, no Brasil, são 58 fábricas, 51 centros de distribuição, 2 mineradoras, 67 lojas, 8 escritórios, 1 centro de pesquisa e desenvolvimento.
Com a formalização do acordo, que ainda será submetido ao Conselho Superior do MPSP, além do encerramento das atividades, até julho de 2026, está prevista também a implementação de um plano de gerenciamento de áreas contaminadas.
Em caso de descumprimento, a companhia está sujeita a multa de R$ 10 mil por dia.
O que diz a Isover
A empresa foi questionada pelo Portal iG sobre o motivo de não ter corrigido os problemas e, dessa forma, evitar que a situação chegasse ao encerramento das atividades. Mas a Isover não respondeu essa questão.
Por meio de nota, confirmou a decisão de encerrar a produção de lã de vidro na sua unidade de Santo Amaro e alegou que a decisão foi tomada após um longo processo de diálogo com a vizinhança e órgãos competentes e fiscalizadores e da assinatura do TAC.
Destacou que "a empresa opera há mais de 70 anos em Santo Amaro, em conformidade legal e atendimento aos critérios de sustentabilidade e segurança da saúde humana estabelecidos por entidades nacionais e internacionais".
"Todas as emissões da unidade sempre passaram por sistemas de tratamento e controle, com monitoramento constante conduzido por empresas especializadas e auditadas pelos órgãos ambientais competentes e NÃO REPRESENTAM RISCO À SAÚDE"
, enfatiza o grupo, em nota.
E prossegue:
"Em atendimento às demandas da comunidade, a Isover foi além e implementou o Plano de Melhoria Ambiental, com mais de 60 ações de aperfeiçoamento das estruturas industriais".
Por fim, afirma que continuará atuando no Brasil, que o encerramento do processo de produção da lã de vidro seguirá as etapas estabelecidas pela TAC, no período de janeiro a julho de 2026.
A partir daí, segundo a empresa, a unidade funcionará como centro de distribuição, garantindo o fornecimento para toda a cadeia produtiva.