
As cartas de Pokémon deixaram de ser apenas itens de nostalgia infantil e se tornaram um dos investimentos mais lucrativos da atualidade. De acordo com levantamento da empresa de análise Card Ladder, publicado pelo Wall Street Journal (WSJ) , os cards acumulam valorização de cerca de 3.821% desde 2004, desempenho muito superior ao índice S&P 500, que subiu 483% no mesmo período, e até à valorização da Meta após sua abertura de capital em 2012.
Criada em 1996 pela Nintendo, a franquia Pokémon conquistou o mundo com jogos, séries e filmes. Agora, os cards colecionáveis vivem uma fase de euforia, com negociações que atraem tanto fãs nostálgicos quanto investidores em busca de retornos financeiros.
Segundo o WSJ, a febre cresceu durante a pandemia, quando compradores com mais tempo livre e recursos extras começaram a investir nas cartas. Celebridades como o influenciador Logan Paul também ajudaram a impulsionar o mercado. Em 2022, ele pagou US$ 5,3 milhões (R$ 28.553.750) por um raro Pikachu Illustrator, valor que entrou para o Guinness como recorde mundial.
Histórias de ganhos expressivos reforçam a especulação. O publicitário Justin Wilson, de 32 anos, estima que sua coleção de 500 cartas e 100 itens lacrados já valha cerca de US$ 100 mil (R$ 538.750) . Plataformas como eBay, TCGplayer e feiras especializadas concentram o maior volume de negociações, muito além das vendas oficiais feitas pela empresa.
O preço de uma carta pode variar conforme raridade, estado de conservação e certificação. Um exemplar avaliado como praticamente perfeito pode atingir cifras milionárias, enquanto pequenas imperfeições derrubam o valor. O mercado também sofre com falsificações, o que aumenta a necessidade de autenticação especializada.
Apesar do entusiasmo, especialistas ouvidos pelo WSJ alertam para a volatilidade desse tipo de investimento. Críticos traçam paralelos com a bolha das cartas de beisebol nos anos 1980, quando a superprodução fez os preços despencarem.
Ainda assim, muitos colecionadores afirmam que o fator emocional é parte essencial do valor das cartas de Pokémon. Foi o caso de Charlie Pryds, de 28 anos, que redescobriu sua coleção de infância durante a licença-paternidade e voltou a investir.
“Tenho ações, criptomoedas e agora Pokémon. É uma forma de diversificar com um pouco mais de risco”, disse ao WSJ.