Em campanha, Bolsonaro defendeu influência do dólar nos preços dos combustíveis

Na época, presidente afirmou que Petrobras deveria seguir o padrão internacional e subir os preços após aumentos no mercado internacional

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Jair Bolsonaro em vídeo da campanha presidencial de 2018

Em seu programa de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , o  presidente Jair Bolsonaro  afirmou que a política de preços da Petrobras deveria seguir os "mercados internacionais", com apenas uma "suavização" das flutuações de curto prazo. A política de preços da Petrobras virou uma incógnita após Bolsonaro decidir trocar o comando da estatal .

"Os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais, mas as flutuações de curto prazo deverão ser suavizadas com mecanismos de hedge apropriados", diz o programa.

Os mecanismos de "hedge", que são operações no mercado para oferecer proteção financeira à companhia, já eram adotados pela Petrobras para compensar defasagens ocasionais entre o preço do combustível aqui e sua paridade com a cotação internacional do petróleo e do real.

Bolsonaro tem repetido que a mudança na presidência da Petrobras — o general da reserva Joaquim Silva e Luna foi indicado para substituir o economista Roberto Castello Branco — não irá alterar a política de preços, mas ao mesmo tempo tem feito críticas a ela.

Na segunda-feira (22), por exemplo, o presidente reclamou da reação do mercado financeiro à troca no comando da Petrobras e afirmou que a política atual atenderia apenas aos interesses de "alguns grupos". Na mesma ocasião, Bolsonaro afirmou não "entender" os últimos reajustes nos preços dos combustíveis e que "tem coisa que tem que ser explicada".

Para o ex-secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do governo, Paulo Uebel, a intervenção de Bolsonaro significa um desrespeito ao programa de governo, batizado na época de "Caminho da Prosperidade".

"O presidente Bolsonaro foi eleito com um programa de governo chamado Caminho da Prosperidade, que foi elaborado por várias pessoas, entre elas, o ministro Paulo Guedes. O plano fala claramente que a Petrobras vai observar a movimentação internacional do preço do petróleo, porque é uma empresa que vai reagir aos inputs de mercado", disse Paulo Uebel em entrevista ao Globo .

O ex-secretário afirmou também que a saída de Castello Branco "contraria o voto que a população deu no presidente".

As ações da Petrobras registraram um tombo de mais de 20% na segunda-feira, primeiro dia de funcionamento do mercado financeiro após o anúncio da troca, na noite de sexta-feira (19).