Ações de empresas de energia caem após ameaça de intervenção de Bolsonaro

Índice de Energia Elétrica (IEE), que acompanha ações do segmento na B3, recua quase 4%

Foto: iStock
Mercado reagiu mal as falas de Jair Bolsonaro em interferir nos valores das contas de luz

Depois de anunciar a troca de comando na Petrobras , na sexta-feira (19), o presidente Jair Bolsonaro acrescentou mais incerteza ao mercado no final de semana. Ao participar, durante um evento em uma escola militar em Campinas, em São Paulo, Bolsonaro afirmou que iria “meter o dedo na energia elétrica também” . O Índice de Energia Elétrica (IEE) que acompanha as ações do setor na B3 está em queda de 3,88%.

A informação que circula no mercado é que o governo poderia utilizar R$ 70 bilhões em fundos setoriais e tributos federais para reduzir as tarifas de energia. Não há informações sobre como esta proposta será executada, mas ela traz lembranças aos investidores de um movimento no mesmo sentido feito pela então presidente Dilma Rousseff.

Através da Medida Provisória 579, de 2012, a presidente Dilma quis agradar o consumidor final com redução nas contas de luz. O governo impôs uma queda na tarifa de energia exatamente num momento em que os custos estavam em alta.

O resultado foi uma conta de mais de R$ 60 bilhões aos consumidores desde 2013, que causou efeito contrário ao desejado: as contas de luz ficaram mais caras.

Bolsonaro não deu detalhes de como pretende reduzir as contas. Mas se a decisão for confirmada, será mais uma pressão de desequilíbrio sobre as contas públicas e é isso que está pesando sobre as ações do setor.

"A reação do mercado às propostas de mudança no comando da Petrobras e de intervenção nos preços da energia é ruim", escreveram os analistas da Levante Ideias de Investimento.

As ações ordinárias da Eletrobras (ELET3) caem 4,77%, enquanto os papéis ON da CPFL (CPFE3) recuam 7,23%. Já as ações ordinárias da Ceimg (CMIG3) recuam 3,87%, enquanto as preferenciais da Cesp (CESP6) perdem 3,70%.