Com gastos emergenciais, dívida pública dispara e atinge maior nível desde 2006

Endividamento do País vem acelerando durante a crise; total chegou a R$ 5,9 trilhões em maio

Dívida pública disparou com aumento de gastos emergenciais na pandemia e atingiu maior nível desde 2006
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Dívida pública disparou com aumento de gastos emergenciais na pandemia e atingiu maior nível desde 2006

A dívida pública brasileira atingiu R$ 5,9 trilhões em maio com os gastos extras causados pela pandemia. Esse nível equivale a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior resultado da série histórica do Banco Central (BC), iniciado em dezembro de 2006. Os números foram divulgados nesta terça-feira (30) pelo BC.

A estatística considera a dívida pública bruta do governo geral, que compreende o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os governos estaduais e municipais. A dívida é acompanhada de perto pelo mercado financeiro para medir a capacidade do país de pagar suas dívidas, o nível de solvência.

O endividamento do país vem acelerando desde o início da pandemia. Em março, a dívida cresceu 1,7 ponto percentual, seguida de um novo crescimento em abril de 1,3 ponto percentual. Em maio, a taxa de crescimento foi de 2,1 pontos.

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Para uma comparação, em fevereiro, quando a pandemia ainda não tinha impactado no país, a taxa de crescimento da dívida era de 0,4 ponto percentual.

O aumento no endividamento é decorrente do aumento das despesas do governo com medidas de combate à crise causada pela Covid-19 . Sem recursos, o governo emite títulos de dívida para o mercado. Dessa maneira, ele recolhe recursos para financiar ações como investimentos em hospitais ou o pagamento do auxílio emergencial.

Segundo os dados divulgados pelo Banco Central, o aumento da relação entre dívida e PIB decorreu, principalmente, das emissões de título de dívida, mas também sofreu efeito da variação do PIB para baixo e da incorporação dos juros nominais.

No ano, a relação entre dívida e PIB já subiu 6,1 pontos percentuais, também principalmente pelo aumento no endividamento, dos juros e da desvalorização cambial acumulada.