"Ser patrão no Brasil é um tormento", diz Bolsonaro ao criticar lei trabalhista

Em reunião com cúpula de deputados do DEM, o capitão reformado afirmou ainda que leis trabalhistas tem que se aproximar da informalidade; veja vídeo

Bolsonaro cobrou que leis trabalhistas sejam mais próximas da informalidade, reafirmando a dificuldade ser patrão no Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Bolsonaro cobrou que leis trabalhistas sejam mais próximas da informalidade, reafirmando a dificuldade ser patrão no Brasil

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), voltou a falar sobre as dificuldades de ser empresário no Brasil e reforçou críticas às leis trabalhistas em vigor no País, chegando a cobrar que estas se aproximem do trabalho informal. As declarações foram feitas durante reunião com parlamentares do DEM, nesta quarta-feira (12), em Brasília.

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"As leis trabalhistas têm de aproximar, no que for possível, da informalidade", afirmou Bolsonaro, em trecho de vídeo transmitido ao vivo pelo deputado federal Francisco Floriano (DEM-RJ) em seu Facebook. Confira o vídeo abaixo:


O capitão reformado também fala sobre outras questões, como a demarcação de terras indígenas e de quilombolas e as mudanças no Brasil. "Não demarcarei 1 cm² de terra a mais", disse Bolsonaro, acrescentando ataques ao PT e cobrando união da direita. "Nós agora somos governo, não é mais a esquerda. Mas nós temos que estar unidos."

Bolsonaro ainda afirma que "não quer impor, não vai, e sequer tem força para impor coisas de sua cabeça", reforçando a necessidade de união , sugerindo mostrar os projetos aos líderes de partidos antes de enviá-los ao Congresso, para aumentar a chance de aprovação. "Dá para mudar o destino do Brasil, depende de nós. E todo mundo vai ganhar com isso, sem exceção", argumentou.

Sobre sua força popular e o crescimento do PSL, seu partido, o presidente eleito questiona: "Quem sou eu para levar 30 mil pessoas [a Juíz de Fora, em comício]? Não sou eu, é o simbolismo de ser diferente. Eu jamais esperava fazer 15 deputados federais, fizemos 52."

A cobrança de união e a necessidade desta para "vencer a guerra" contra a esquerda marcaram o discurso de Bolsonaro. "Se a gente der errado, o PT volta. A gente enfrenta esses caras desde 1922, esse tipo de filosofia. Eles hibernam, esperam o momento adequado para voltar das cinzas, como estão agora. Eu não quero eliminar o PT, eu quero colocá-lo em seu devido lugar pelo voto."

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Leis trabalhistas no governo Bolsonaro

Foto: Reprodução
Luciano Hang, dono da Havan, é citado por Bolsonaro em sua crítica às leis trabalhistas

O presidente eleito se mostra a favor da maior liberdade da economia e do menor contole do estado às relações entre empresários e trabalhadores , e, mais uma vez, criticou a legislação trabalhista e argumentou que é difícil ser patrão no País, falando também programas sociais.

Bolsonaro conta com Paulo Guedes , seu 'superministro' da Economia, para aprovar reformas estruturais de cunho liberal, entre elas uma nova revisão da lei trabalhista, que buscaria estimular investimentos e passar confiança ao empresariado, ao prometer maior flexibilização do trabalho.

Apesar de não dar detalhes, é esperado que os pontos no artigo 7º da Constituição, que trata de direitos como a previsão do pagamento de 13º salário, férias, salário mínimo e outras questões não sejam alteradas. Durante a campanha, seu vice, Hamilton Mourão, caracterizou o 13º salário como "jabuticaba", sendo prontamente corrigido.

Ao reafirmar a dificuldade de ser empresário no Brasil, Bolsonaro cita o caso de Luciano Hang , da empresa Havan, que recebeu multa de R$ 100 milhões por supostamente ter coagido funcionários a apoarem o presidente eleito durante o período eleitoral.

"Nós queremos que tenha fiscalização sim, mas que chegue no órgão a ser fiscalizado e que a empresa seja atendida como amiga. Vê o que está errado, faz observações, dá um prazo, e depois volta pra ver se a exigência foi atingida. E aí multa. Não fazer como está aí", disse o presidente eleito.

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"Eu, por exemplo, poderia ter uma microempresa com cinco funcionários, não tenho porque eu sei das consequências se meu negócio der errado ou quiser mandar alguém embora", afirmou Bolsonaro ao defender a flexibilização das leis trabalhistas no Brasil.