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A medida torna o mercado norte-americano mais atrativo aos investidores, na comparação com os demais mercados emergentes, entre eles o brasileiro

A afirmação do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, sobre a elevação da taxa básica de juros norte-americana acendeu o sinal de alerta no mercado mundial para 2017. Ainda segundo o Fed, além da alta da taxa neste final de ano, a perspectiva é que outras três ao longo do próximo ano e isso deve impactar o crescimento econômico mundial.

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Fed  anuncia aumento na taxa de juros nos Estados Unidos  e crescimento econômico mundial pode ser afetado
BBC
Fed anuncia aumento na taxa de juros nos Estados Unidos e crescimento econômico mundial pode ser afetado


A medida torna o mercado norte-americano mais atrativo aos investidores, na comparação com os demais mercados emergentes, entre eles o brasileiro e pode afetar o crescimento econômico mundial. Neste mês de dezembro a elevação fez com que a taxa de juros nos Estado Unidos fosse de 0,25% a 0,5% para 0,5% a 0,75%. Segundo o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), a alta veio após ser identificado que a economia local apresenta inflação e nível de desempregos em baixa.

 Expectativas

 “Se aumenta lá, sempre há um desequilíbrio no que diz respeito à distribuição de recursos internacionais. No caso do Brasil, há um volume de recursos aqui por causa da atratividade do preço do dinheiro [taxas elevadas de juros]. Mas se a taxa americana sobe, isso criará atratividade lá, já que as poupanças internacionais passam a ser alocadas para os Estados Unidos”, afirmou o economista Paulo Dantas da Costa, ex-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon).

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Com taxas melhores nos Estados Unidos,  os investidores internacionais mudam suas posições, principalmente quando se trata dos títulos do Tesouro americano, considerado um investimento de baixíssimo risco. “Agora, além da segurança, tem-se a rentabilidade”, disse o especialista.

Além da variação da taxa básica de juros, outro fator de influencia na economia dos Estados Unidos e  na mundial, é a mudança de comando nos Estados Unidos, com a chegada de Donald Trump à presidência. “Tenho visto com certa apreensão a variável Trump”, avaliou Costa, ao ressaltar que essa mudança no cenário internacional se dará, principalmente,  por causa das declarações do presidente eleito em defesa de empresas norte-americanas.

Europa e China

Para a Europa, a expectativa para o próximo ano é que a região mantenha o desempenho econômico fraco registrado em 2016. No relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgado em novembro, o crescimento estimado para o continente em 2017 é de 3,3%. O crescimento será de apenas 0,1 ponto percentual acima da avaliação anterior da organização. “Acho que a Europa não acompanha o resto do mundo no desempenho econômico. Especialmente quando se compara com a economia chinesa e americana”, enfatizou Costa.

Já na China, os indicadores mostram que o crescimento econômico do país deve desacelerar em 2017, com uma política monetária mais restritiva. A projeção de crescimento é de 6,5% ante os 6,7% que devem ser registrados em 2016.

“Chega em um ponto que vai à exaustão porque não existem fatores econômicos que deem sustentação a crescimentos de 6%, 7% ao ano. Mas, no caso chinês, a gente faz uma ressalva porque é um país que tem um mercado interno de mais de 1,4 bilhão de pessoas. É completamente diferente quando se compara ao mercado brasileiro, com aproximadamente 200 milhões de pessoas”, disse Costa.

* Com informações da Agência Brasil 

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