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Lançada na plataforma Kickant, campanha visa arrecadar fundos e produzir robôs cães-guias que serão doados para pessoas que necessitam do produto

Brasil Econômico

O  robô Lysa possui uma lista de espera com 450 interessados e pode chegar a  custar R$ 10 mil
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O robô Lysa possui uma lista de espera com 450 interessados e pode chegar a custar R$ 10 mil

Com a intenção de facilitar a mobilidade de deficientes visuais e reduzir custos e obstáculos, pesquisadores do Espírito Santo vêm desenvolvendo um robô cão-guia juntamente de um levantamento de fundos por meio de financiamento coletivo. A campanha de crowdfunding foi lançada pela plataforma brasileira Kickante e objetiva a arrecadação de R$ 100 mil para a produção de 10 robôs.

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Batizado de Lysa, o primeiro robô cão-guia está em fase final de experimentação. A equipe de pesquisadores pretende aperfeiçoá-lo, para que os outros possam ser produzidos e doados a deficientes visuais que necessitam do produto. Neide Sellin, idealizadora do projeto, relata que a equipe é integrada por oito pesquisadores, sendo eles todos bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A campanha é não apenas para permitir a produção dos protótipos, mas também para fazer com que o robô chegue ao público de forma mais acessível possível. Os cães-guias convencionais exigem despesas para tratamento e criação, além do custo elevado para adestramento, não sendo, portanto acessíveis a muita gente. Calcula-se que hoje no Brasil existam menos de 100 cães-guias”, comenta Neide.

Apresentado em novembro durante um evento do Instituto Benjamin Constant, o robô Lysa  possui uma lista de espera com 450 nomes interessados em sua utilização e pode custar R$ 10 mil, caso a arrecadação tenha o sucesso esperado. No Brasil há cerca de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual severa, tendo se tornado recorrente e não circulação dessas pessoas por medo e por falta de recursos que as possibilitem andar e fazer suas atividades com segurança.

“Em muitos casos eles ficam dependentes de outra pessoa, que também tem sua rotina impactada. Estima-se que no Brasil existam 10 milhões de pessoas afetadas de alguma maneira pela deficiência visual. Melhorar a vida das pessoas a partir do desenvolvimento de tecnologias era um sonho antigo, que foi ganhando cada vez mais espaço na minha vida. O projeto deu origem a uma startup e hoje estamos todos determinados a finalizar o produto e disponibilizá-lo o mais rápido possível para o mercado”, conclui a idealizadora do projeto.

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Segundo Candice Pascoal, fundadora e presidente do Kickante, campanhas como essa estimulam e incentivam o financiamento coletivo para a concretização de projetos. “O conceito do cão-guia robô deixa claro toda a criatividade e talento dos brasileiros, que cada vez mais, desejam investir e fomentar suas ideias. Temos certeza que o projeto será um sucesso e terá a capacidade de auxiliar inúmeros brasileiros por todo o País”, afirma Candice.

Como é o robô Lysa?

Tendo funções similares com as de cães-guias convencionais, o robô Lysa possui bateria recarregável, dois motores e cinco sensores que se comunicam com o seu usuário através de mensagens de voz. O robô que começou a ser pesquisado por Neide Sellin em 2011, está sendo executado para pesar apenas 3,5 quilos.

Joelva Gomes é formada em Direito e tem pós-graduação em Docência do Ensino Superior. Consultora para o desenvolvimento do cão-guia Joelva relata que perdeu sua visão na adolescência devido a uma degeneração macular, e que sua maior dificuldade desde então, tem sido se livrar de obstáculos que dificultam o seu percurso.

“A gente não consegue perceber esses obstáculos com a bengala, dificilmente você encontra algum deficiente visual que não tenha uma cicatriz da cintura pra cima. O robô vai nos dar maior independência e segurança ao nos alertar de coisas que a bengala não percebe, nos possibilitando ir trabalhar, estudar ou se divertir e voltar para casa de forma segura”, diz. 

Sandra Pagotto, irmã de Joelva, também é deficiente visual e tem acompanhado o desenvolvimento do robô cão-guia. “O robô vai beneficiar principalmente as novas gerações de deficientes visuais, mas mesmo as pessoas de gerações menos habituadas com tecnologia aprendem a utilizá-lo de maneira rápida e fácil”, garante Sandra.

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