Agência Brasil

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O rendimento mensal do brasileiro teve queda de 5% em 2015, aponta Pnad

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada nesta sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que a renda real dos trabalhadores – descontada a inflação – caiu 5% em 2015 ao se comparar com o ano anterior.  O resultado apresentou a primeira queda após 11 anos de crescimento da renda dos brasileiros.

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A renda da população brasileira passou de R$ 1.950 para R$ 1.853.  O resultado do Pnad apontou também que todas as fontes financeiras — que pode ser aposentadorias, recebimento de aluguéis, juros e benefícios sociais, entre outros – dos brasileiros apresentaram queda entre 2014 e 2015, passando de R$ 1.845 para R$ 1.746, o que representa queda de 5,4%. O rendimento domiciliar foi de R$ 3.443 para R$ 3.186 , retraão de 7,5%.

Todas as categorias do emprego também apresentaram redução no rendimento médio mensal real do trabalho principal, com destaque para os trabalhadores domésticos com carteira assinada, com retração de 3,1% de 2014 para 2014. A coordenadora da pesquisa do IBGE, Maria Lúcia Vieira, explicou que a queda está diretamente relacionada com a diminuição da população ocupada no País “Foi um período em que a desocupação aumentou muito, cerca de 38%, e atingiu principalmente as pessoas ocupadas na indústria, na região Sudeste, e com carteira assinada, que têm rendimentos maiores que os sem carteira e os que trabalham por conta própria. A ocupação caiu justamente nos setores onde os rendimentos eram maiores”, informou ela.

Indicadores em queda

A pesquisa do Pnad divulgou ainda que em todas as grandes regiões do País apresentaram redução no rendimento médio mensal em todas as categorias de trabalho. No Norte a queda foi de 7,2% com renda passando de R$ 1,565 para R$ 1.453; no Nordeste a queda foi de 5,6% passando de R$ 1.295 para R$ 1.223. O Sudeste teve queda no rendimento mensal do trabalhador de 5,4%, passando de R$ 2.239 para R$ 2.117; No Sul do País o indicador teve queda de 3,3%, ao passar de R$ 2.149 para R$ 2.079 e o Centro-Oeste a queda na renda foi de 3,5%, de R$ 2.284 para R$ 2.203.  

O índice de Gini, que mede a concentração de renda e desigualdade, também teve redução, mas segundo Maria Lúcia, isso acontece devido a crise econômica do País e não da melhora na distribuição de renda no Brasil. “As quedas do rendimento se deram muito mais nos 50% da população que ganham mais do que nos 50% que ganham menos e isso fez com o que o Gini caísse”, afirmou. “A concentração diminuiu porque piorou mais para quem estava melhor em vez de melhorar para quem estava pior”.

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Para esse indicador, quanto mais próximo de zero menor a desigualdade, sendo o número um desigualdade máxima. O índice da distribuição do rendimento do trabalho caiu de 0,490 em 2014 para 0,485 em 2015, seguindo trajetória decrescente da série desde 2004 (0,545).

Houve queda também no índice de distribuição do rendimento médio mensal real dos domicílios particulares permanentes (0,494, em 2014, para 0,493 em 2015) e do rendimento médio mensal de todas as fontes (de 0,497 em 2014 para 0,491, em 2015).

Nível de desigualdade

O  Nordeste apresentou o maior nível de desigualdade na distribuição desse rendimento, ao atingir 0,498, enquanto a Sul  o resultado foi o menor  com 0,441. Em termos de variação no período, o Sudeste registrou a maior redução do Índice de Gini de 2014 para 2015, seguida pela região Centro-Oeste.

Os 10% da população ocupada com os menores rendimentos recebiam 3,5% do valor obtido pelos 10% da população ocupada com os rendimentos mais elevados. Em 2014, essa relação era de 3,6%.

O grupo dos 10% de rendimentos mais elevados concentrou quase 40% do total de rendimentos do trabalho, registrando em média R$ 7,4 mil, valor 5,9% menor do que o registrado pelo Pnad em 2014. O grupo pertencente à classe dos 10% de menor rendimento mensal de todos os trabalhos recebeu 1,4% do total de rendimento.

Em 2015, 44,7% dos domicílios particulares brasileiros que declararam ter algum tipo de rendimento contavam com até um salário mínimo, que no período era de R$ 788 por morador no domicílio dos 68,2 milhões dos locais que declararam possuir rendimentos.

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