Tamanho do texto

Escritora e coach executiva fala sobre causas de distração e como combater a sensação de "voltar ao trabalho". Veja dicas e volte ao trabalho com foco

via GIPHY

Aristóteles disse uma vez que “o lazer é o fim almejado no trabalho, assim como a paz, na guerra”. No entanto, líderes, empresários e profissionais têm - na melhor das hipóteses – sentimentos contraditórios sobre a busca de lazer, seja por uma auto cobrança, ou pela incapacidade de se planejar ou, mesmo, por terem medo de ser rotulados como preguiçosos. Tentam, de todos os modos, manter o foco no trabalho - independentemente dos resultados positivos ou negativos. Se forçar, porém, não é a saída. 

Nos Estados Unidos, o Dia do Trabalho é como um marco não oficial do fim do verão. Nesse período, os dias serão mais curtos, as férias acabam e as escolas voltam às aulas. No trabalho, a corrida para o fim do ano começa a aquecer. Enfim, é hora de se concentrar e voltar o foco para a vida profissional. Difícil voltar à produtividade anterior? É, pode ser bastante... A sensação de segunda-feira ou pós-férias parece nos convencer de que "nunca" conseguiremos voltar a ser produtivos. 

Pensando nessa dificuldade de “voltar à tona” no trabalho, a escritora e coach executiva Tasha Eurich escreveu ao site Entrepreneur, falando sobre como combater os 3 maiores inimigos da produtividade, aqueles empecilhos quase impossíveis de vencer. Desse modo, ela tenta passar algumas orientações para um retorno ao trabalho mais tolerável, seja após o domingo tedioso, seja depois de longas férias. Veja:

1. Distrações globais

via GIPHY

A maioria dos escritórios é um campo minado de distrações – como uma construção na porta ao lado, a conversa alta de uma baia próxima, o telefone do seu chefe que não para de tocar etc. A média de horas em que as pessoas gastam realmente focadas no trabalho é de apenas seis horas por semana. O incrível é que 44% das vezes, nós somos o verdadeiro problema.
Quer ver um exemplo? Um profissional checa seu e-mail 30 vezes POR HORA – em média. Sim, você leu corretamente.

Infelizmente, essas distrações são mais significantes do que realmente parecem. Uma vez que nossa concentração foge de uma tarefa, você pode levar até 25 minutos para retomar no ritmo. Em suma: isso limita totalmente sua produtividade. Para compensar isso, fazemos algo que nos estressa ainda mais, que é compensar trabalhando mais horas.

Embora ter zero distrações é humanamente impossível, nós podemos diminui-las para, assim, tomar controle de nosso dia. Por exemplo, em vez de checar o e-mail 30 vezes por hora, pesquisas mostram que quatro vezes por dia já é mais do que o suficiente. Nós também podemos tentar ajustar nosso meio ambiente: se o barulho te incomoda, feche a porta ou coloque fones de ouvido.

Ou mude seu calendário: Nathan Latka , CEO da empresa de marketing Internet Heyo,  usa as noites de domingo para observar suas próximas reuniões e cancelar aquelas que não são absolutamente necessárias , por exemplo.

2. Multitarefa

via GIPHY

O segundo grande inimigo do foco é a multitarefa, geralmente mascarada como uma ferramenta de produtividade. Em uma pesquisa realizada pelo professor de comunicação Zhen Weng, que pediu para acompanhar um grupo de profissionais que se classificaram como “multitasking”, grande parte das pessoas encaram essa característica como positiva.

Contudo, ao contrário do que acreditamos, 98% das pessoas são incapazes de realizar duas coisas ao mesmo tempo. Um dado que chocou a todos, mesmo pesquisadores experientes. Desse modo, quando você pensa em “mandar uns e-mails enquanto participa de uma reunião”, está se enganando e, desse modo, não se concentrando nem em uma coisa, nem outra.

+ Cinco perguntas que as pessoas mais produtivas fazem todos os dias

Cal Newport, autor do livro Deep Work (Trabalho Profundo, em tradução livre), é um defensor apaixonado dessa ideia a que chama de trabalho profundo, ou seja, focar em apenas uma coisa de cada vez. Quando uma empresa de software separou duas horas na parte da manhã e da tarde para o trabalho profundo de seus funcionários, a maioria dos funcionários relatou melhora na produtividade. Quase metade se sentiu ainda mais produtivo durante o restante do dia.

Uma pesquisa científica mostrou que a melhor maneira de lidar com a procrastinação é dividir seu tempo de trabalho em 90 por 15 – ou seja, a cada 90 minutos trabalhos, são 15 de pausa. Mas, claro, a arte é encontrar a abordagem que funciona para você. Por exemplo, se o seu cérebro pós-descanso está relutando com o conceito de 90 minutos consecutivos de trabalho, tente começar com a técnica Pomorodo - 25 minutos com um intervalo de cinco minutos.

3.  Ação sem planejamento

via GIPHY

Quantas vezes você entra e mergulha na realização de uma tarefa sem se questionar, primeiro, se é a coisa mais importante ou correta a fazer? Certa vez, o presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, disse: “O que é importante, raramente é urgente. E o que é urgente, raramente é importante”.

+ Procrastinação pode esconder problemas mais sérios

Mesmo as pessoas mais orientadas podem cair na armadilha de mergulhar na realização de uma tarefa sem antes se planejar ou “olhar para o retrato completo”.
Felizmente, existe uma solução relativamente simples: a chamada regra de 1%, ou seja, passar um por cento do seu dia planejando como você vai gastar os outros 99%.

Por fim, mas não menos importante, para conseguir se concentrar e manter o foco – é tão importante não ser muito duro consigo mesmo.