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Segundo pesquisa da FecomercioSP, número de famílias paulistanas com dívidas, em julho, é 4,1 pontos percentuais menor que mesmo mês de 2015

Brasil Econômico

Em São Paulo, 1,8 milhão de famílias tem dívida
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Em São Paulo, 1,8 milhão de famílias tem dívida

Uma pesquisa realizada pela FecomercioSP revelou nesta segunda-feira (08) que 49,2% das famílias paulistanas estão endividadas. Os números relativos ao mês de julho deste ano são 4,1 pontos percentuais menores em comparação ao mesmo período de 2015 – quando 53,3% das famílias disseram possuir algum tipo de dívida.

Ainda segundo o estudo, apesar de julho revelar a terceira queda consecutiva interanual, o número de famílias com dívidas na capital paulista está crescendo mês a mês de 2016. Ao  compararmos julho e junho, por exemplo, encontramos um pequeno aumento de 0,2 ponto percentual.

Em números absolutos, o total de famílias com algum tipo de dívida passou de 1,881 milhão, em junho, para 1,893 milhão, em julho. Já no mês de julho de 2015, esse número era de 1,913 milhão, ou seja, 19 mil a menos.

Terceira queda de dívidas interanual

De acordo com a assessoria econômica da FecomercioSP, o mês de julho trouxe a terceira queda consecutiva dos números de famílias endividadas em no comparativo anual com 2015. Isso teria acontecido por dois motivos:

1.  Restrição de crédito do mercado

Existe uma forte ligação entre inadimplência e desemprego e a perspectiva de que mais de um milhão de pessoas ainda perca o emprego em 2016, que fez com que o mercado financeiro adotasse políticas de crédito mais rígidas.

2.  Medo de endividamento

Devido à crise, muitas famílias conseguiram evitar contrair novas dívidas ou financiamentos para a saúde financeira doméstica. Apesar da melhora das expectativas para a economia do País, tanto de consumidores quanto de empresários, mostrada pelos indicadores da FecomercioSP, o cenário atual ainda é delicado e não haverá grandes mudanças no curto prazo.

Perfis dos endividados

Segundo o estudo, o endividamento é maior entre as famílias com renda inferior a 10 salários mínimos. Neste grupo, 51,8% afirmaram ter, pelo menos, algum tipo de dívida em julho, elevação de 0,2 ponto porcentual na comparação com junho.

Já as famílias que recebem mais de 10 salários, a parcela de endividados em julho foi de 41,8%, o que mostra uma retração de 0,6 p.p. em comparação ao mês anterior.

A pesquisa revelou ainda que, no mês avaliado, 37,4% das famílias afirmaram ter sua renda comprometida com dívidas por mais de um ano (ante 40% em julho de 2015); 22,9% possuem débitos com prazos de até três meses (sendo que em julho do ano passado eram 17,1%); 19,7% entre três a seis meses (20,8% em julho de 2015); e 18,2% entre seis meses e um ano (19,2% em julho de 2015).

 Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada mensalmente pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Inadimplência também subiu

A pesquisa da FecomercioSP também avalia o número de famílias inadimplentes em São Paulo. Sobre esse problema, foi encontrado que, em julho, 17,3% das famílias paulistanas estavam com as contas em atraso, o que significa uma queda de 0,3 p.p. em relação ao mês anterior. Já no comparativo com o mesmo período do ano passado, o indicador apresentou alta de 2,8 p.p. Em números absolutos, o total de famílias com contas atrasadas atingiu 666 mil.

É importante destacar também que, entre as famílias inadimplentes da capital paulista, 50,9% afirmaram ter débitos vencidos há mais de 90 dias; 24,6% têm compromissos atrasados entre 30 e 90 dias; e 24,3% estão com dívidas vencidas por até 30 dias.

Assim como o endividamento, a inadimplência também é maior nas famílias com menor renda. Entre as que ganham até 10 salários mínimos, 20,5% estão com contas atrasadas – aumento de 2,3 p.p. na comparação com julho de 2015.

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De acordo com a assessoria econômica da entidade responsável pelo estudo, as famílias com menor renda sentem mais os efeitos da crise econômica – assim, além de viver com orçamento mais apertado e precisar de crédito para aumentar o padrão de consumo, esse perfil de consumidor pode ter um desequilíbrio de suas finanças por qualquer imprevisto, levando à inadimplência.

Já entre aquelas que ganham mais de 10 salários mínimos, 9,3% afirmaram ter dívidas vencidas em julho – elevação de 3,4 p.p. na comparação com o mesmo mês de 2015.

Além disso, em julho, 7,3% das famílias disseram que não teriam condições de pagar total ou parcialmente suas contas no mês seguinte. Esse porcentual era de 5,6% no mesmo período de 2015. Em números absolutos, existem 282 mil famílias que estão nessa situação.

Cartão de crédito e outros vilões

Assim como em outros momentos, o cartão de crédito continua sendo o grande vilão do endividamento na capital paulista. Segundo a FecomercioSP, ele foi o principal meio de financiamento das famílias, tendo sido utilizado por 71,5% dos devedores em julho.

Na sequência de “responsáveis” estão os carnês (15,9%), o crédito pessoal (13,9%), o financiamento de carro (13,4%), o financiamento de casa (11,7%) e o crédito consignado (5,3%).

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No comparativo anual observa-se uma alta de 0,7 p.p na utilização do Cheque Especial, de 5,3 p.p. no crédito pessoal e de 4,9 p.p. nos carnês. Ainda em relação ao mês de julho do ano passado, destaca-se a queda de 6,5 p.p. no financiamento de carro.

A maior utilização do Crédito Pessoal nos últimos meses, de acordo com a entidade, demonstra que o consumidor tem buscado outras modalidades de crédito que ofereçam juros mais baixos. Os dados do Banco Central de junho apontam que o crédito pessoal oferecido pelos bancos apresentou uma taxa média em junho de 128,3% a.a. Já o Cheque Especial e o rotativo do Cartão Crédito possuem uma taxa média de 315,7% a.a. e 470,9% a.a., respectivamente.

Segundo a FecomercioSP, os tipos de dívidas refletem uma certa dificuldade de equilibrar o orçamento das famílias com rendimento acima de dez salários mínimos.