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Pilotos da FAB voarão em 2016 menos de 100 mil horas, 35% menos que o necessário parta manter a operacionalidade da Força Aérea Brasileira

Brasil Econômico

A Força Aérea Brasileira é responsável por 22 milhões de quilômetros quadrados de tráfego aéreo
FAB
A Força Aérea Brasileira é responsável por 22 milhões de quilômetros quadrados de tráfego aéreo

A Força Aérea Brasileira (FAB) teve que deixar de usar mais da metade da sua frota de aviões por causa dos cortes no orçamento que foram impostos pela equipe econômica do governo de Michel Temer. A Aeronáutica têm à disposição 600 aviões, mas apenas 250 estão prontos para emprego, o que equivale a 41%. A disponibilidade de recursos para voar é outra questão.

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Os pilotos voarão este ano menos de 100 mil horas, ou seja, 35% menos que o mínimo necessário para manter a operacionalidade da Força Aérea Brasileira , que é de 150 mil horas por ano. No ano passado, a cota já havia recuado para 130 mil horas.

A valorização frente ao dólar e a elevação do preço do querosene de avião foram apontados pelo comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Nivaldo Rossatto, como dois fatores que atingiram em cheio o orçamento da FAB. Ele explicou que essa queda tem consequências diretas no treinamento de pilotos, no suporte que a Aeronáutica dá ao Exército e à Marinha, e no apoio às atividades dos governante.

O comandante também alertou que os cortes no orçamento tem causado prejuízos ao sistema de controle do tráfego aéreo brasileiro. A fim de economizar, o funcionamento de cinco radares meteorológicos já foi suspenso, por exemplo. De acordo com Rossatto, essa medida pode, a longo prazo, impactar o sistema, que se verá obrigado a deixar de investir em modernização de equipamentos. Ele lembrou que quando Michel Temer assumiu a presidência, houve descontingenciamento, mas que o setor ainda não conta com os recursos necessários para promover a capacitação de funcionários e a modernização de equipamentos. 

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Ele informou que a Força Aérea Brasileira vai procurar o Tribunal de Contas da União (TCU) para pedir que o órgão volte a fazer a ressalva que proíbe contingenciamento nesse setor, que apresenta grande importância estratégica.  A FAB é responsável por 22 milhões de quilômetros quadrados de tráfego aéreo, sendo 10 milhões do Atlântico Sul, que são responsabilidade do Brasil. Em 2015, foram gastos R$ 358,35 por quilômetro quadrado, o que equivale a um gasto de menos de R$ 1 por quilômetro quadrado por dia.

* Com informações do Estadão Conteúdo