Reuters

O supercomputador Santos Dumont, inaugurado no Rio de Janeiro este ano e que seria utilizado em uma série de pesquisas que inclui o Zika vírus, teve de ser desligado em meio a cortes de recursos do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), afirmaram pesquisadores nesta quarta-feira.

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Divulgação/LNCC
Supercomputador consome cerca de R$ 500 mil de energia elétrica mensalmente

Segundo Antônio Tadeu, chefe do Sistema Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Sinapad), "os problemas financeiros provocaram o desligamento do Santos Dumont entre o mês passado e esse mês". O Sinapad atua na operação do suprercomputador  em parceria com o LNCC.

Como é capaz de rodar a uma velocidade de até 1 milhão de vezes mais rápida que a de um notebook convencional, o Santos Dumont, consome muita energia. Estima-se que o custo mensal de energia da máquina seja de aproximadamente R$ 500 mil. Segundo o LNCC, o supercomputador , comprado da francesa Atos/Bull, tinha um orçamento de R$ 60 milhões para este ano, incluindo o custo de aquisição e instalação.

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Setenta e cinco projetos, de acordo com Tadeu, aguardam a retomada das operações normais do supercomputador para que estudos e pesquisas possam ser realizadas. Entre os estudos em espera está o de mapeamento genético da zika vírus.

"São projetos que foram aprovados para usarem a máquina, mas isso não está acontecendo pelas restrições. Parece um contra senso, em um momento como esse em que todos falam sobre o vírus Zika", afirmou Tadeu. Segundo ele, o Santos Dumont ajudaria no desenvolvimento de fármacos que possam diagnosticar com precisão a existência do Z ika vírus  e dengue e no desenvolvimento de uma vacina.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação confirmou que a operação do supercomputador está comprometida e que o LNCC sofreu um contingenciamento de cerca de 20% de seus recursos para 2016, o que afetará as operações nos próximos meses. Porém, o ministério afirmou que a máquina está operando a 30% de sua capacidade e que não foi totalmente desligada.

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Em nota, o ministério acrescentou que destinou orçamento de R$ 8,21 milhões ao LNCC, "cujo valor cobre os custos do instituto até os próximos meses e já negocia com a área econômica uma suplementação orçamentária de R$ 4,65 milhões, que já está em análise no Ministério do Planejamento".

"O ministério espera que o equipamento retorne ao seu funcionamento pleno para não prejudicar as pesquisas e projetos desenvolvidos por esse importante centro de pesquisas”, acrescentou a pasta.

Tadeu afirmou que o Santos Dumont está operando com carga mínima e que não está atendendo a usuários externos e grandes projetos. Segundo ele, a máquina está ativa, mas para manter componentes em funcionamento e não sofrer depreciação de sistemas eletrônicos e de refrigeração. "Ele não está atendendo à comunidade científica por problemas financeiros", afirmou.

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