Brasil Econômico

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Reprodução/Facebook
"Acho que mulheres profissionais e bem sucedidas – especialmente mulheres negras ou pardas – têm a responsabilidade de ser mais firmes sobre suas realizações"

Em um artigo para o site Motto, a engenheira ambiental e professora associada de saúde pública e química na Universidade do Arizona, Paloma Beamer, que tem origem latina, escreve sobre a importância de valorizar a graduação – e por que as mulheres devem “tirar seus diplomas do armário”. Leia a reflexão consciente da profissional:

“Tenho três graduações em engenharia ambiental na Universidade da Califórnia, na Berkeley e na Universidade Stanford, uma das mais premiadas escolas no mundo. Já fui convidada para colaborar nacional e internacionalmente. Participo de comitês de conselhos nacionais e já recebi premiações federais. Faço parte de maneira permanente na equipe de pesquisadores de uma das maiores universidades do mundo e já fui honrada com prêmios diversos, incluindo um da Agência de Proteção Ambiental e do Instituto Nacional de Saúde.

E tenho apenas 39 anos. Então, por que eu não pendurei meus diplomas e prêmios até recentemente?

Eu trabalhei duro para conquistar isso. Mesmo assim, ficaram trancados no armário por nove anos, enrolados numa sacola de plástico, fora da vista em meu escritório. Eu poderia atribuir essa decisão à minha boa formação, já que minha família me ensinou a ser humilde em relação ao meu sucesso. Mas, na verdade, provavelmente isso tem mais a ver com o que meus colegas homens me dizem sobre isso, sobre apenas pessoas pretensiosas pendurarem seus diplomas - a maioria com seus próprios diplomas pendurados na parede, vivendo em um mundo diferente do meu.

Talvez, não ter pendurado meu diploma seja um sintoma de uma síndrome: minha preocupação constante de que as pessoas não pensem que consegui chegar tão alto por acidente. Eu tenho que, constantemente, lembrar a mim mesma de que pertenço a este universo e de que devo, sim, ser levada a sério como uma cientista. Afinal, não ganhei meu Ph.D., o conquistei com muito estudo, sangue, suor e lágrimas – e por não desistir.

Também não é surpreendente que tenha desenvolvido esta síndrome por compartilhar do espaço dominado por homens brancos mais velhos. Pois, quando você já é o próprio “elefante branco” da sala, quer tirar a atenção de si, mesmo que isso signifique tirar o destaque das suas conquistas profissionais. Sempre quis evitar o estereótipo de professora latina “brava” ou “emocional”, assim, poderia minimizar minhas diferenças.

‘Você não parece uma engenheira”, já ouvi. “Você não soa como uma mexicana”, disseram outros. “Mas você é um dos bons”, também me afirmaram. Estou cansada dessas afirmações! Mesmo sendo 15% de toda a população nos Estados Unidos, menos de 2% das mulheres de cor têm diploma em ciência ou engenharia. Somos poucas, mas felizmente não estou sozinha.

Por tudo isso, acho que mulheres profissionais e bem sucedidas – especialmente mulheres negras ou pardas – têm a responsabilidade de ser mais firmes sobre suas realizações, para que meninas e jovens possam se tornar cientistas amanhã. E tirar seus diplomas do armário."

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