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Diretor de Política Econômica, Altamir Lopes acredita que alterações na política fiscal terão impacto apenas em 2017

Cálculo do superávit estrutural teve piora motivada pela frustração de receitas do governo
Thinkstock/Getty Images
Cálculo do superávit estrutural teve piora motivada pela frustração de receitas do governo


Adotado pelo Banco Central em setembro de 2013, o cálculo do superávit estrutural deixou de ser explicitado pela primeira vez desde então no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira, 31. Isso ocorre justamente no momento em que a frustração de receitas do governo leva a uma piora do indicador. Desde que começou a ser utilizado pela autoridade, o conceito é acompanhado de uma definição de expansão, neutralidade (ou estabilidade) ou contração dentro do horizonte relevante para a política monetária.

Apesar de não constar no documento, o diretor de Política Econômica, Altamir Lopes, surpreendeu os jornalistas ao citar, no meio de sua entrevista, que o cálculo estrutural hoje se encontrava no terreno expansionista. Até então, se falava em neutralidade no BC, com possibilidade de contração.

Nos RTIs de 2013, quando passou a adotar esse conceito, a descrição era de que o indicador fiscal utilizado nas projeções de inflação tenderia a manter certa estabilidade, portanto, com impulsos fiscais de magnitude desprezível, e indicavam que havia possibilidade de deslocamento para a zona de neutralidade no horizonte relevante para a política monetária. Em 2014, esse tom permaneceu nas quatro edições do ano e, em 2015, prevaleceu a análise de que o impulso fiscal passou a ser estável e que havia a possibilidade de se deslocar para a zona de contenção.

Por isso, o "cavalo de pau" observado na comunicação do diretor em relação à política fiscal chamou atenção. Ao ser questionado sobre a mudança, Altamir explicou, primeiro, que houve uma alteração em relação às receitas extraordinárias. Depois mencionou que as receitas também caíram. Por fim, falou dos gastos do governo.

O diretor disse que as alterações na política fiscal não afetam a inflação no curto prazo, mas que terão impacto em 2017. "A política fiscal tem seus 'lags', mas afeta em termos de expectativas. Se você explicita suas metas, mesmo que sejam ruins, isso reduz muito a volatilidade e o que ficam são os resultados efetivos", afirmou.

Ele explicou que o recálculo sobre o impulso fiscal, que originou mudança de um impulso neutro para expansionista, ocorreu em março. "Considerações de neutralidade, expansionismo e contração têm uma defasagem. Quando se está no limiar entre duas faixas, qualquer movimento faz a avaliação mudar de um lado para outro", acrescentou.