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Preços da cerveja e do coco, por exemplo, estão 20% mais caros que em 2014; cariocas e turistas pensam em alternativas

No verão, além das altas temperaturas, os banhistas sentem a inflação sazonal sobre os preços de itens praianos. Com a chegada da estação mais quente do ano, os vendedores aproveitam para lucrar aumentando os valores de produtos e serviços.

O fenômeno já é tão tradicional quanto aplaudir o pôr do sol. Nesta temporada, os consumidores terão que desembolsar um dinheiro a mais na cerveja, no coco e no aluguel de cadeira e guarda-sol. Além disso, há diferenças expressivas no custo dependendo do trecho da praia, e o aumento pode ultrapassar 100%.

No último verão, uma lata de 350 ml de cerveja nacional era vendida entre R$ 4 e R$ 5 pela orla da zona sul, do Leme ao Leblon. Agora, custa R$ 6, exceto em alguns pontos. A média de preço da bebida nos mercados é R$ 2,50, uma diferença de 140%.

Beatriz Santos e Daniela Ramos substituem cadeiras por cangas e levam água e lanche para praia
Márcio Mercante / Agência O Dia
Beatriz Santos e Daniela Ramos substituem cadeiras por cangas e levam água e lanche para praia

Já o ‘latão’ da cerveja de 473 ml passou de R$ 6 para R$ 7. E a garrafa de água está R$ 4. Segundo os comerciantes, a alta deve-se ao aumento do gelo e da cerveja no mercado. “Um saco de gelo de 18 Kg está entre R$ 15 e R$ 20. Antes era R$ 8. É produto que derrete e precisamos para manter a cerveja gelada”, diz Mário Martins, vendedor no Leme.

Para evitar pagar os preços mais salgados da bebida, Amanda Dantas, de 40 anos, e Flavia Soares, de 36 anos, procuram os trechos mais baratos. “É tudo mais caro na praia, mas eu não pago a mais”, afirma Amanda, que desembolsou R$ 5 em uma barraca de Ipanema.

Também é preciso pechinchar para alugar cadeiras. O valor médio é R$ 6, enquanto no verão passado era R$ 5. Algumas barracas de Copacabana e Ipanema ainda cobram esse valor, mas no trecho do Copacabana Palace, por exemplo, o item custa o dobro: R$ 10. No mesmo ponto, para alugar o guarda-sol são cobrados R$ 20, enquanto nos outros o aluguel é de R$ 10.

Vendedor do local mais caro de Copacabana, William Silva admite a inflação sobre os aluguéis: “Aumentamos porque é isso que nos dá lucro. Mais que alimentos e bebidas”, afirma.

Técnica em Enfermagem, Beatriz Santos, de 22 anos, vai ‘equipada’ à praia. “Em toda orla te cobram mais caro pelo conforto. Trago água, biscoito e fico na canga”, conta. Daniela Ramos, de 21 anos, reclama do preço de R$ 4 da água. “Compro por R$ 2 em um bar”.

Para o economista e professor do Ibmec, Alexandre Espírito Santo, os aumentos exorbitantes são impulsionados pela alta da inflação, que ultrapassa 10%. “Os preços ficam sem parâmetro”, afirma ele, que acrescenta: “A cerveja aumentou, mas nem tanto. No mercado, está entre R$ 2 e R$ 2,50. O vendedor ganha acima da margem de lucratividade e o consumidor não deve aceitar isso”.

O publicitário Felipe Bogomoltz, de 32 anos, critica o preço do coco, vendido a R$ 6 no Leblon e até R$ 7 na Barra. Em outras praias, cobram R$ 5, o valor do verão passado. “Temos que dizer não. Isso é abusivo”.

Negociar ou levar de casa são opções

Há poucas opções para fugir dos altos preços nas praias, mas negociar com vendedores e levar seus itens é o caminho, alerta o economista Gilberto Braga. “A inflação de verão é oportunista. Cobra-se mais caro pelo conforto. Como estamos em crise, há barganha e desconto. Mas o melhor para economizar é ter a sua cadeira e barraca, levar seu recipiente com gelo, bebidas e lanches”.

Consultor de varejo, Marco Quintarelli ressalta que exceto os alimentos, cadeiras e guarda-sóis não são renovados e, por isso, o aumento não se justifica: “Paga-se mais por um aluguel de produto velho e mal conservado. É exorbitante”.

Felipe e a namorada, Camila Dentes, criticam variação de preço de itens como o coco
Márcio Mercante / Agência O Dia
Felipe e a namorada, Camila Dentes, criticam variação de preço de itens como o coco

Veja como estão os preços dos seguintes itens no Rio de Janeiro:

Cerveja - A bebida disputada nas areias sofreu alta, em média, de 20%, em comparação ao verão passado. A lata de 350 ml custava R$ 5 e muitas barracas da orla já aumentaram para R$ 6. No trecho do Copacabana Palace, saltou de R$ 5 para R$ 7, aumento de 40%. Quem gosta das importadas terá de desembolsar R$ 6 ou R$ 7, dependendo da parte da praia que escolher ficar.

Coco - Tradição da praia, o item custa R$ 5 na maior parte da orla há dois verões, e, no Leblon, algumas barracas vendem por R$ 6. Mesmo sem sofrer alta, o preço do produto é questionado. “Não é vendida a água de coco já processada, industrializada. Vendedores cobram preços altos”.

Água - Indispensável no calor, a garrafa de água de 510 ml está sendo vendida a R$ 4. No verão passado, a maioria das barracas das praias comercializava o produto em média por R$ 3. O banhista pode comprar o produto em lanchonetes e farmácias próximas à praia pela média de R$ 2,50.

Caipirinha - Os vendedores estão ‘cotando’ a iguaria brasileira, a partir de R$ 10. No verão passado, os banhistas conseguiam comprar por R$ 8 pela orla da zona sul.

Cadeira - O banhista que não levar a sua ou não optar pela canga terá de andar para encontrar preços mais em conta. Muitas barracas já aumentaram de R$ 5 para R$ 6 e há algumas que cobram R$ 8. O menor valor cobrado no aluguel é de R$ 5 em alguns trechos da orla.

Guarda-sol - Para se proteger do sol escaldante, é recomendado levar sua própria barraca. Quem optar pelo conforto e preferir alugar tem que ficar alerta. Vendedores cobram, em média, R$ 10. Alguns comerciantes de trechos de Ipanema e Copacabana cobram R$ 20.

Mate - A refrescante bebida que sai que nem água é vendida desde o verão passado a R$ 5. Vendedores disseram que não há previsão de aumento.

Biscoito Globo - Patrimônio cultural carioca, o item estava a R$ 4 agora custa R$ 5. Especialistas recomendam negociar o preço com o vendedor por meio de compras casadas com bebidas.

Fonte:  O Dia

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