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"Todos serão chamados a participar", diz o novo presidente da operadora, que deve R$ 1,5 bilhão e deixou de pagar médicos

A Unimed Paulistana pretende dividir seus prejuízos – dentre os quais está uma dívida de R$ 1,5 bilhão – com as outras integrantes do sistema de cooperativas de planos de saúde.

"Esse grupo econômico, que é uma coisa única no País inteiro, está totalmente relacionado tanto com os ativos como com os passivos da Unimed Paulistana. E todos serão chamados a participar daquilo que lhes cabe no momento adequado de acordo com as definições da Justiça", afirma Marcelo Nunes, presidente da cooperativa, em entrevista ao  iG .

Uma das maiores operadoras do sistema Unimed – e do País – a Paulistana está em dificuldades financeiras desde a década passada. Neste ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) entendeu que a situação se agravou e, em setembro, decidiu obrigar a cooperativa a se desfazer de seus 740 mil clientes.

Parte 1 - O dinheiro dos cooperados

"Houve oportunidade sim de o sistema Unimed intervir de forma mais ou menos agressiva no sentido de auxiliar na correção dos rumos e resultados da Unimed Paulistana. A opção foi não fazer esse tipo de intervenção", queixa-se Nunes.

Na entrevista, o presidente afirma não saber se e quando será possível retomar os pagamentos aos médicos cooperados, que estão sem receber desde antes da determinação da alienação da carteira. Os pagamentos dependem, em parte, de a Paulistana conseguir recuperar valores que estão com fundos que emprestavam dinheiro à operadora – que estava sem acesso a crédito em bancos convencionais.

"Como nós não temos de previsão de qual será o valor, se será e qual será o valor a ser recuperado pela paulistana, não dá para fazer essa previsão. Mas a ideia é que todo o valor possa ser recuperado."

Parte 2 - O papel do sistema Unimed

Nunes – que assumiu o cargo em 2015 – também afirma que a Paulistana irá investigar a revelação feita pelo iG de que, antes da quebra, a operadora turbinou adiantamentos a fornecedores , numa prática considerada maquiagem por um especialista em contas de Unimeds.

Sobre o futuro, o presidente demonstra pouca esperança. Segundo Nunes, o sistema Unimed não tem demonstrado interesse em contratar a operadora como prestadora de serviço, como é uma das saídas estudadas pela gestão.

"Sem o sistema Unimed Paulistana como prestadora de serviço temos que procurar outro tipo de negocio para isso. Se isso será possível ou não, eu já admito previamente que é muito difícil. Mas impossível não é."

Parte 3 - O futuro da Unimed Paulistana.

Em nota à reportagem do iG , a Unimed do Brasil ressaltou que cada cooperativa médica que compõe a sua rede possui "gestão autônoma". Confira abaixo a nota na íntegra:

A Unimed do Brasil esclarece que cada Unimed possui gestão autônoma e independente garantida pela Lei nº 5.764/1971, que rege a atuação das cooperativas no País. Por meio do papel institucional que exerce, a Unimed do Brasil participa intensamente de debates em diversas esferas, incluindo-se agendas na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O objetivo de tais encontros é preconizar as reivindicações das cooperativas médicas, considerando-se que a Unimed tem perfil mercadológico diferente da concorrência e necessita de representação nestas frentes comuns (Cooperativismo e Saúde Suplementar). Neste sentido, a Unimed do Brasil acompanha a gestão assistencial, econômica, financeira e operacional das 351 cooperativas médicas que integram o Sistema Unimed, realizando alertas, recomendações, planos de recuperação e, até mesmo, incentivo à reformulação para que operadoras se tornem prestadoras de serviço, quando a configuração mercadológica da cooperativa viabiliza este caminho. Ressalta-se que tais medidas podem ou não ser colocadas em prática pela gestão das cooperativas, dada à autonomia que lhes é conferida por lei.

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