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Presidente recém-eleito da Argentina foi recebido nesta sexta-feira (4), em Brasília, pela presidente Dilma Rousseff

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse hoje (4) que a ascensão de Maurício Macri à Presidência da Argentina deixou as montadoras mais otimistas quanto às possibilidades de bons negócios em torno da renovação do acordo automotivo bilateral, que vence em junho do próximo ano. As discussões sobre o acordo devem começar em janeiro.

Dados do setor mostram queda, em novembro sobre outubro, de comerciais leves (37.3%)
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Dados do setor mostram queda, em novembro sobre outubro, de comerciais leves (37.3%)

O presidente eleito da Argentina foi recebido nesta sexta-feira, em Brasília, pela presidente Dilma Rousseff e tem encontro com dirigentes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na capital paulista.

Para Luiz Moan, a parceria com um dos principais clientes do país pode ajudar a reverter a situação desfavorável nas exportações de veículos brasileiros, que caíram 1,1%, em novembro, com movimentação de US$ 860,6 milhões ante US$ 870,3 milhões em outubro. No acumulado de janeiro a novembro, as vendas externas somam US$ 9,68 bilhões, valor 10,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Comparado a novembro de 2014, houve retração de 6%.

Segundo o presidente da Anfavea, o resultado foi influenciado mais pela fraca demanda de veículos com valor agregado do que pelo impacto cambial. Lá fora, tem sido mais difícil negociar caminhões, máquinas agrícolas e ônibus, considerados bens de capital, do que os automóveis, disse Luiz Moan.

Os dados sobre o desempenho do setor mostram queda, em novembro sobre outubro, de comerciais leves (37.3%); de caminhões pesados (17,7% e dos ônibus rodoviários (42,1%). Quanto aos ônibus que servem para o transporte coletivo urbano, as encomendas entregues em novembro aumentaram 32,5%. As exportações de máquinas agrícolas cresceram 49,9% entre outubro e novembro, mas mantém-se em baixa no de 25,4% no acumulado desde janeiro.

Estabilidade no mercado interno

No mercado interno, a expectativa é de estabilidade nos próximos meses e retomada apenas a partir de outubro de 2016. Em novembro, a indústria automotiva conseguiu estancar as quedas, que vinham ocorrendo desde agosto último em relação às comparações de um mês para outro. A recuperação foi, porém, modesta: 1,6%. No acumulado do ano, há um recuo de 25,2%.

Mesmo com esse ligeiro crescimento, a produção foi 14,2% inferior com 176 mil unidades. No acumulado de janeiro a novembro, foram produzidos 22,3% menos veículos do que em igual período de 2014 e, em comparação ao mesmo mês do ano passado, ocorreu queda de 33,5%.

Segundo o balanço da Anfavea, os cortes de vagas no setor continuam. Entre outubro e novembro, o nível de emprego teve queda de 1,1%. Em janeiro, havia 144,2 mil trabalhadores nas fábricas, número que caiu para 131,2 mil, o que significa uma redução de 10,2%.

Impeachment

Para o presidente da Anfavea, a crise política tem interferido no bom desempenho do setor. Ao ser indagado sobre o processo de avaliação de pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que foi aceito pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Luiz Moan disse esperar uma definição, o mais rápido possível, das questões políticas para que a economia volte a crescer. “A economia brasileira não aguenta mais interferências políticas”, afirmou Moan.

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