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Em ano de ajuste fiscal, alta de despesas com remuneração de conselheiros e diretores segue, embora em menor ritmo; banco afirma que houve ampliação no número de ocupantes

A Caixa Econômica Federal tem mantido a tendência de elevar os gastos com a administração do banco neste 2015 de ajuste fiscal, embora em ritmo menor. Nos nove primeiros meses deste ano, o gasto com os supersalários dos conselheiros e diretores subiu 25% ante o mesmo período de 2014, segundo dados divulgados na sexta-feira (20). O resultado ocorre mesmo após, de janeiro a setembro de 2014, os gastos com a cúpula terem sido elevados em 79% na comparação com 2013.

Miriam Belchior (à esquerda) substitui Jorge Hereda (à direita) à frente da Caixa Econômica Federal
ALAN SAMPAIO/iG BRASILIA
Miriam Belchior (à esquerda) substitui Jorge Hereda (à direita) à frente da Caixa Econômica Federal

Nos 9 primeiros meses de 2015 banco gastou R$ 26,7 milhões com os benefícios pagos a conselheiros e diretores, ante os R$ 21,4 milhões nos primeiros nove meses de 2014. Com o aumento, esse item da conta do banco chega a quase o triplo do de 2011, primeiro ano do governo Dilma Rousseff (PT).

Em média, cada dirigente recebe R$ 43 mil por mês atualmente, alta de 4,5% em relação a 2014 (o dado de 2011 não está disponível), um número 5,9 vezes maior à média de R$ 7,3 mil dos demais empregados, que teve um aumento de 10,7% em relação a 2014.

A Caixa não quis comentar as informações. Em outubro, entretanto, havia atribuído a elevação no gasto com os administradores no primeiro semestre de 2015 em relação a 2014, então de 53%, a três fatores: ampliação do número de ocupantes desses cargos, pagamento de quarentena a ex-funcionários e quitação de benefícios de anos anteriores. O banco se recusou a detalhar esses itens.

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“O aumento verificado nos benefícios de curto prazo [ no primeiro semestre de 2015 ] decorreu da elevação na quantidade de administradores. Conforme legislação do Banco Central e leis vigentes, os Administradores da instituição recebem remuneração compensatória pelo período de interdição e remuneração variável, além dos efeitos de anos anteriores no diferimento da remuneração”, limitou-se a informar a Caixa, por meio de sua assessoria de imprensa.

De 26 para 47

A disparada no número de administradores da Caixa durante o governo Dilma ocorreu em 2013. Nos primeiros 9 meses daquele ano, o número de ocupantes de cargos dessa natureza no banco saltou de 27 para 36 . No ano seguinte houve novo salto, para 46 e, em 2015, ano em houve 2.317 mais demissões do que admissões no banco segundo o Sindicato dos Bancários, ligeira elevação para 47.

Os dados fazem parte de levantamento do iG em documentações do Banco Central obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação. A Caixa não confirmou.

Os números são aproximados pois a composição de órgãos de administração tende a variar ao longo do ano – um diretor pode sair sem que sua posição, por exemplo, seja ocupada imediatamente – e dizem respeito apenas aos membros efetivos da Diretoria Executiva, do Conselho de Administração, do Conselho Diretor, do Conselho de Auditoria e do Conselho Fiscal.

Apesar da elevação, a quantidade de dirigentes da Caixa está em linha com o praticado em outras instituições financeiras de porte semelhante. O Banco do Brasil, também público, estima que terá uma média de 50 pessoas na administração em 2015, entre diretores e conselheiros. O Bradesco prevê aproximadamente 89 diretores – fora conselheiros.

Contas passadas

O aumento nos gastos também está relacionado, segundo à Caixa, à obrigatoriedade de fatiar o pagamento de remuneração variável aos diretores. Desde 2012, os bancos estão obrigados a diferir ao menos 40% desse valor por, no mínimo, três anos. Com isso, o aumento no número de administradores de 2013, por exemplo, terá reflexos até pelo menos 2016.

A Caixa argumenta ainda que os gastos de 2015 subiram em razão da necessidade de pagar quarentena a ex-funcionários. Por lei, eles ficam impedidos de assumir cargos semelhantes em outros locais durante seis meses após deixarem o cargo.

O gasto com a quarentena, entretanto, custou ao banco R$ 786.921,53 de abril de 2013 a março de 2015, segundo dado do banco obtido pela reportagem por meio da Lei de Acesso a Informação. Assim, mesmo que o pagamento das quarentenas tivessem ocorrido em 2015, elas representariam apenas 3% dos gastos com a cúpula da Caixa.

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