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Chegando a vender 80 mil garrafas no mês, fundadores da Evino querem tirar da bebida a fama de cara e torná-la um produto do cotidiano dos brasileiros

Marcos Leal e Ari Gorenstein estudaram na mesma faculdade, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), durante o mesmo período, mas não se conheciam. Não lembram sequer de ter trocado alguma palavra. Hoje, os empresários, ambos de 35 anos, são sócios na EVino e faturam alto vendendo vinhos pela internet.

Ari Gorenstein e Marcos Leal faturam alto com o comércio eletrônico de vinhos
Divulgação
Ari Gorenstein e Marcos Leal faturam alto com o comércio eletrônico de vinhos


Fundado em abril de 2013, o e-commerce é um dos maiores do setor no Brasil. No ano passado, registrou o faturamento de R$ 18 milhões e atingiu a marca de mais de 80 mil garrafas vendidas em um só mês.

Formados em engenharia - Marcos na Elétrica e Ari, na de Produção -, os dois viram no mercado uma boa oportunidade, devido ao aumento nas vendas de vinho e ao crescimento do comércio eletrônico no Brasil. “Queríamos atuar em uma área com potencial de crescimento grande. A importação da bebida no Brasil tem crescido arrebatadoramente nos últimos 20 anos. O e-commerce cresce uns 20, 25% ao ano. Essa combinação de fatores torna o mercado muito saudável”, afirma Marcos. 

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O empresário trabalhava em um fundo de investimentos e começou a sondar a possibilidade de trazer para o País um modelo de flash-sales (ofertas relâmpagos e rotativas). Conversando com pessoas do mercado e procurando por mais informações, encontrou o perfil de Ari no LinkedIn. “Como costumo dizer, ele é um dos poucos que sabe falar de vinho e também sabe fazer contas”, brinca Marcos.

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Ari tem mestrado em vitivinicultura, enologia e marketing de vinhos na Europa e já tinha experiência em outras empresas do ramo.

“Com 20, 21 anos, consegui uma bolsa de estudos e fui morar na França, onde comecei a experimentar vinhos. Minha verba era de estudante, mas certamente experimentei vinhos que jamais teria tido acesso se estivesse no Brasil. Acabei vendo a possibilidade de entrar nos ciclos sociais franceses, aprender a língua. Participei de confrarias e clubes de enologia na faculdade, que organizavam viagens para as rotas mais interessantes de vinícolas. Acabou se tornando uma paixão”, conta Ari. 

Investimento em e-commerce

Para tirar a ideia do papel, os empresários, que hoje se dedicam integralmente ao site, contaram com um investimento inicial de um fundo e viram o negócio crescer rapidamente, como relata Marcos: “Testamos e adaptamos o nosso caminho. Tivemos a vantagem de estar trabalhando com um e-commerce, onde o risco é mais controlado. No varejo tradicional, você paga pelo ponto, faz toda a reforma, monta a identidade visual, as prateleiras, etc. Você gasta todo o dinheiro antes de abrir a lojinha. O risco é maior porque você precisar fazer todo o investimento antes de saber se vai funcionar.”

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Em 2013, ano em que a loja entrou no ar, o faturamento foi de aproximadamente R$ 4 milhões. Em 2015, de acordo com os sócios, deve bater na casa dos R$ 46, 48 milhões. Mesmo com a crise, as perspectivas são boas. “O produto funciona bem na crise. Às vezes, a pessoa troca uma compra maior, como por exemplo a aquisição de um carro, pelo prazer de tomar um vinho”, defende Marcos. 

Apesar da impossibilidade de experimentar a bebida antes de comprá-la, Marcos garante que é possível realizar uma compra satisfatória pela internet: “Do mesmo jeito que o cliente não pode provar conosco, ele não pode provar no supermercado. Existe uma barreira, mas aí que entra a confiança na nossa seleção. Há cinco anos, se você fosse comprar sapatos pela internet, iam perguntar se você estava louco. Mas a Dafiti e outras grandes estão aí para provar o contrário”.  

Desmitificando o vinho 

O objetivo da loja é tirar o preconceito de que o vinho é uma “bebida de luxo”, apenas para algumas pessoas. O site oferece ofertas especiais para os clientes, com descontos que variam de 30% a 65%. 

“O vinho, tradicionalmente, é popular. No interior da França e da Itália, os camponeses levam vinho no vasilhame para tomar durante a colheita. Sempre fez parte do dia a dia dessas culturas. Queríamos ajudar a simplificar, tornar acessível. Tomar vinho é mais fácil do que parece”, garante Marcos. “Sempre brincamos com o vinho. Comparamos com personalidades famosas, músicas, filmes. Procuramos inserir a bebida em universo mais próximo do cliente”, acrescenta Ari. 

Entre os serviços da Evino estão ainda os planos de assinatura. Um deles é o Clube Evino Red, que disponibiliza uma seleção exclusiva de ofertas feita por sommeliers, com vinhos de várias nacionalidades.  A entrega acontece uma vez ao mês e o número de garrafas, sempre de dois rótulos diferentes, varia de acordo com os planos, que vão de R$ 136 a R$ 384 mensais.

Além das vendas, o investimento em conteúdo é prioridade para os sócios. Ari acredita que, dessa forma, o cliente pode conhecer melhor o produto que pretende comprar: “Temos fotos com alta qualidade, muito bem produzidas, textos jornalísticos, um conteúdo editorial muito bem escrito, numa linguagem que seja próxima do nosso cliente. Tentamos fugir de todos os tecnicismos e jargões e apresentar o vinho de forma despojada, como uma bebida que pode ser consumida corriqueiramente.”

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