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Apesar da atual crise no País, o presidente do BNDES reafirmou sua confiança na recuperação da economia nos próximos anos

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, diz nesta quarta-feira (11) que o orçamento para desembolso (investimento usado para financiamento de empresas) da instituição deste ano deverá ficar abaixo do de 2014, devido à redução acentuada da demanda e da intenção de investimento das empresas. A declaração foi feita durante participação de Coutinho no encontro internacional da indústria de semicondutores South America Semiconductor Strategy Summit 2015, que ocorre no Rio de Janeiro.

Luciano Coutinho deposita esperança de recuperação no diálogo com investidores estrangeiros
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
Luciano Coutinho deposita esperança de recuperação no diálogo com investidores estrangeiros

A expectativa de Coutinho é que os desembolsos mantenham até dezembro o ritmo de queda registrado até outubro, em torno de 25%. Os números estão sendo fechados. Esse patamar de queda nas liberações havia sido apurado até agosto. No ano passado, os desembolsos do banco somaram R$ 187,8 bilhões, com redução de 1% em relação às liberações efetuadas no ano anterior. “O nível de consultas reduziu-se de maneira muito forte. Isso não é novidade”, disse.

Apesar da atual crise no País, o presidente do BNDES reafirmou sua confiança na recuperação da economia. “Nós estamos aqui com investidores estrangeiros. Nós estamos falando com a perspectiva de pessoas que vão investir olhando quatro, cinco, dez anos à frente”, disse. "O Brasil é uma economia que tem potencial de crescimento muito maior do que se olharmos só o momento atual”.

Setor automotivo

Diante da pressão exercida pelo setor automotivo, que levou o governo a reabrir o prazo para novos pedidos de financiamento dentro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), Coutinho disse que o BNDES está aguardando a orientação superior do Conselho Monetário Nacional (CMN). O CMN fixou o encerramento do prazo para pedidos de financiamento do PSI em 30 de outubro passado e reduziu o limite de crédito do programa para este ano de R$ 50 bilhões para R$ 19,5 bilhões para operações do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Coutinho informou que já começam a aparecer projetos relacionados à engenharia de produção, visando o produto da nova geração que vai estar pronto daqui a três anos, por exemplo. “Às vezes, é um pedido, em termos monetários, mais modesto, porque é a engenharia do produto, mas ele é a semente para, no futuro, você ter uma corrente de exportação e de produção no país, e ele vai se transformar depois em um projeto industrial”. Ele confirmou que parte desses projetos está dentro do PSI Inovação.

O presidente disse que as cadeias produtivas no complexo automotivo já estão pensando em mudar de estratégia e reforçar o papel das unidades brasileiras como base de exportação, aproveitando a taxa de câmbio que as tornou competitivas, pelo menos na região. “Abre oportunidades para reativar a indústria de autopeças ou desenvolver novos projetos”.

Coutinho diz que a indústria automotiva tem sido um dos segmentos de rápido progresso tecnológico. “Hoje, para entrar nas cadeias globais de valor, o produto que está sendo desenvolvido para daqui dois, três, quatro anos, requer uma engenharia que tem que ser feita hoje”. Para ser um supridor, ele ressaltou que é preciso participar da engenharia de produto desde já. Por isso, ele assegurou que a depreciação do real torna a engenharia automotiva competitiva para participar de projetos e habilitar a indústria de autopeças a ter um peso maior no setor.

O presidente confirmou que o BNDES tem recebido e provocado em conversas com as empresas para que essa mudança de estratégia, porque a resposta do mercado à sinalização do câmbio é rápida e forte. “O setor privado está se ajustando. O banco tem que ser um elemento de suporte para acelerar essa mudança”. Ele confirmou que o BNDES tem interagido com frequência com muitos setores e outras cadeias produtivas, no sentido de reforçar a presença internacional da subsidiária brasileira dentro do sistema global.

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