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Estudo divulgado pela Associação Brasileira de Serviços Online para Offline revela que o mercado O2O tem potencial de crescimento no Brasil de pelo menos dois dígitos por ano

Pedir um táxi ou comprar uma pizza pelo celular já faz parte do cotidiano de muitos brasileiros e esse cenário tende a crescer. Segundo dados divulgados pela recém criada Associação Brasileira de Serviços Online para Offline (ABO2O), o mercado ainda tem muito espaço. 

Estudo da Associação Brasileira de O2O aposta num mercado que pode chegar a R$ 1 trilhão
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Estudo da Associação Brasileira de O2O aposta num mercado que pode chegar a R$ 1 trilhão

De acordo com o presidente da ABO2O e diretor-geral do Baidu Brasil, Yan Di, o faturamento pode chegar a marca de R$ 1 trilhão. "Esse é o potencial se todo o varejo offline migrar para a plataforma online, mas ainda é inferior a mercados como a China, onde esse número chega aos R$ 4 trilhões", afirma.

No ultimo ano, os downloads de apps O2O cresceram em média 1576%. E ainda há espaço para crescer em áreas ainda não exploradas aqui, como lavanderia, impressão, reciclagem, reparos e cuidados para pets, serviços presentes nos outros mercados. Até nos cenários mais modestos, o estudo revela que a taxa de crescimento do setor será sempre no patamar de dois dígitos ao ano, índice muito superior ao registrado por negócios da economia tradicional.

Segundo o vice-presidente da associação e CEO do Kekanto, Fernando Okumura, mesmo no momento de crise na economia brasileira, os serviços O2O podem crescer. “Quem precisa contratar pessoas ou serviços, por exemplo, encontra dificuldades de encontrar profissionais qualificados em áreas como limpeza ou logística. Serviços como O2O podem resolver esse desequilíbrio entre oferta e demanda”, diz.

Surgimento do "O2O"

O termo "O2O" foi criado nos EUA e faz referência ao modelo de negócio que utiliza canais online para adquirir serviços e produtos offline e vice-versa. Exemplos já bem conhecidos de "Online para Offline" são o uso de apps para solicitar transporte, como Easy Taxi e 99 Taxis ou reservar mesas em restaurantes, como Grubster e Restorando.

Apesar da origem americana do termo, esse modelo foi concebido e desenvolvido na China a partir de 2008 com os sites de compras coletivas. No Brasil, esses sites chegaram em 2010 com os portais como o GroupOn e o Peixe Urbano. O desenvolvimento começou com o surgimento dos aplicativos mobile com o propósito de oferecer desde viagens até delivery de comida.

No mercado chinês esse avanço ocorreu a partir de 2010. A explosão do crescimento no Brasil é esperada para os próximos anos. Uma das marcas que determina quando um mercado passa do estágio inicial de O2O é a penetração de aparelhos mobile na população. Na China, por exemplo, o avanço aconteceu em 2013, quando o número de usuários de celulares com acesso a internet chegou a mais de 30% da população. O Brasil atingiu essa meta este ano e a estimativa é que em 2016 o País alcance os 40% de aderência aos smartphones.

Além do aumento no uso de celulares com acesso à internet, Yan revela que o Brasil tem outros fatores que contribuem para o crescimento. "A população brasileira é mais jovem e, portanto, tem mais facilidade em absorver e testar serviços. Além disso, o País tem carência de inovação e melhoria tecnológica", afirma.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento representam apenas 1% do PIB brasileiro, nos EUA esse número chega a 2,8%. O estudo produzido pela ABO2O apoia que o crescimento vai acontecer impulsionado pelo surgimento de serviços inovadores e pelo boom de investimentos no setor.

A análise da ABO2O é que, nos próximos anos, devem aparecer novos serviços O2O no País, aumentando a segmentação dos players, fenômeno que já ocorre em mercados onde esta plataforma está mais madura. É uma característica de mercados avançados, que tende se repetir no Brasil, o surgimento de plataformas de O2O que agreguem diferentes produtos e serviços em uma única aplicação, com uma interface de pagamentos e relacionamento com o consumidor final unificadas.

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