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Em audiência na Câmara, presidente do sindicato dos taxistas afirmou que o Uber é uma afronta às autoridades brasileiras

Agência Câmara

A audiência pública na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público que discutiu o aplicativo Uber de transporte de passageiros terminou em confusão na tarde desta terça-feira (27). Representantes dos taxistas fizeram declarações polêmicas e acabaram batendo boca com adeptos do Uber.

Discussão terminou sem nenhum avanço prático sobre a questão que fim levará o aplicativo
Reprodução
Discussão terminou sem nenhum avanço prático sobre a questão que fim levará o aplicativo

O presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo, Natalício Bezerra Silva, afirmou que o Uber é uma afronta às autoridades brasileiras. “O vendedor de pipoca tem um carrinho para trabalhar e é registrado. Com relação ao Uber, não se sabe qual o endereço e o CNPJ”, criticou.

Ele informou que só em São Paulo existem 50 mil taxistas, e que a categoria é muito exigida pelo Poder Público. “Se o carro dele tiver com o pneu liso, ele é recolhido. É uma exigência enorme em cima dos motoristas”. Silva acusou autores de projeto de lei que regulamentam o Uber de receber dinheiro por fora: “É uma organização clandestina”.

O deputado Augusto Coutinho (SD-PE) rebateu Bezerra e alegou que a categoria não pode fazer tal acusação, uma vez que os taxistas não se manifestam contra a máfia das concessões das autorizações de licenças de taxistas. “Fazer uma acusação assim é muito grave e muito sério.”

Já o diretor de políticas públicas do Uber no Brasil, Daniel Mangabeira, afirmou que não pode tratar o aplicativo como um elemento de disputa com os taxistas. Segundo ele, o serviço do Uber é acusado injustamente de serviço clandestino e pirata.

“A Lei estabelece quatro categorias de transporte urbano, duas delas de transporte individual e duas privadas”, informou. De acordo com Mangabeira, não se pode misturar dois serviços diferentes, sendo que um é baseado em uma plataforma tecnológica e outro baseado nos serviços de táxi: “Uma categoria, dos taxis, é regulamentada no âmbito federal e municipal. Outra categoria nova, sem regulação, não pode ser considerada ilicitude”.

O deputado Roney Nemer (PMDB-DF) afirmou que os trabalhadores do aplicativo precisam sustentar as famílias, mas não têm direitos garantidos. “Falam que é um serviço mais barato. Quando tem show, o serviço aumenta. Quem fiscaliza as condições do carro? É preciso pedir autorização à prefeitura para transportar passageiro e receber por isso. É isso que a lei diz”, questionou.

Nemer também manifestou preocupação com a crescente tensão entre os taxistas e os motoristas do Uber: “Não é legal ver grupo atacando, agredindo”.

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