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Ex-ministro da Fazenda diz que 2015 deverá ser o pior para os países emergentes

Ex-ministro da Fazenda foi ouvido pela CPI do BNDES (27/10/2015)
Marcel Frota/iG Brasília - 27-10-15
Ex-ministro da Fazenda foi ouvido pela CPI do BNDES (27/10/2015)

O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou em audiência na CPI do BNDES que é preciso criar as condições para a queda dos juros. Mantega presidiu o BNDES do período de novembro de 2004 a março de 2006. Ele integrou o Conselho de Administração do banco depois de assumir o Ministério da Fazenda. Mantega disse ainda que 2015 deverá ser o pior para os países emergentes, como o Brasil.

“O déficit nominal está crescendo por causa dos juros, não é por causa do [superávit] primário. O primário tem um peso pequeno. Hoje, a conta de juros que temos, o último número que tenho, é que chega a R$ 480 bilhões de pagamento de juros este ano. Então o primário continuar menor não é o que está dizendo qual será o déficit nominal. O déficit nominal pode chegar a 8%, 8,5% [do PIB]. Se baixasse a conta de juros… Então temos de criar as condições para baixar a conta de juros”, disse Mantega.

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Segundo o ex-ministro, a inflação estimula a alta de juros no Brasil. “Os juros sobem quando a inflação sobe e caem quando a inflação cai”, resumiu o ministro ao responder a respeito da suposta influência que práticas do BNDES poderiam ter sobre o mercado de juros como um todo. Mantega fez também uma análise um tanto otimista, considerando que estamos às vésperas do mês de novembro, a de que este será o pior ano para os países emergentes.

“Vivemos um momento difícil. Diria que 2015 será o pior ano para os países emergentes por causa principalmente da desaceleração da China, que é persistente, ela vai continuar. Estamos no mesmo barco dos países emergentes. Agora, o Brasil tem condições de superar essa situação fazendo uma série de deveres de casa porque o país mantém sua solidez. Temos muita reserva”, afirmou o ex-ministro.

Mantega citou as reservas internacionais do país, que segundo o Banco Central atingiram na semana passada a marca de US$ 371,3 bilhões. “A crise não acabou. Pelo contrário, estamos entrando na terceira fase da crise mundial. Ela teve três fases. Primeiro, Estados Unidos, o epicentro, a segunda foi Europa em 2012 e agora o epicentro são os países emergentes. Os países emergentes todos estão desacelerando, tendo desvalorização cambial, tendo fuga de recursos. A China está desacelerando fortemente e temos uma queda dos preços das commodities e como o Brasil é um exportador

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