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Comitê do Banco Central diz que taxa, a maior desde outubro de 2006, é necessária para atingir meta da inflação em 2016

Sede do Banco Central, em Brasília, órgão que controla a taxa de básica de juros do País
Wikipedia/Creative Commons
Sede do Banco Central, em Brasília, órgão que controla a taxa de básica de juros do País

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve inalterada, em 14,25%, a Selic, taxa que serve de referência para os juros cobrados de pessoas físicas e empresas no Brasil. O índice é o maior desde outubro de 2006. A decisão foi unânime e sem viés de alta ou baixa.

"O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no final de 2016", informou o banco, em nota divulgada nesta quarta-feira (2).

A Selic é usada pelo BC para controlar a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que neste ano deve atingir 9,28%, acima do dobro da meta de 4,5% estabelecida pelo governo. 

Votaram a favor da manutenção da taxa Alexandre Antonio Tombini, presidente do Copom, Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Sidnei Corrêa Marques e Tony Volpon.

Foi a segunda vez seguida que o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. Atualmente, a Selic retorna ao nível de outubro de 2006, quando também estava em 14,25% ao ano. A taxa é o principal instrumento do BC para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Em comunicado, o Banco Central não informou quando a inflação deverá convergir para o centro da meta. No comunicado da última reunião, em setembro, o Copom ainda informava que os juros altos eram suficientes para trazer a inflação de volta para o centro da meta no fim de 2016.

Oficialmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos, podendo chegar a 6,5%. No entanto, no último Relatório de Inflação, divulgado no final de setembro, o BC estimou que o IPCA encerre o ano em 9,5%.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumula 9,49% nos 12 meses terminados em setembro. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, o índice encerrará 2015 em 9,75%. 

Embora ajude no controle dos preços, o aumento da taxa Selic prejudica a economia, que atravessa um ano de recessão, com queda na produção e no consumo. Segundo o boletimFocus, analistas econômicos projetam contração de 3% do Produto Interno Bruto (PIB – soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2015. O BC prevê redução de 2,7%, de acordo com o mais recente Relatório de Inflação.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o BC contém o excesso de demanda que pressiona os preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas alivia o controle da inflação.

*Com Agência Brasil


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