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Quebra da operadora causou recusa de hospitais mesmo com procedimentos de retirada de pedras nos rins já marcados

O imbróglio da alienação da carteira da Unimed Paulistana trouxe todo tipo de prejuízo aos beneficiários. Desde problemas com a transferência  de planos, passando por dificuldades de atendimento na capital paulista  e ainda resultando em cancelamentos de exames, consultas  e até de procedimentos cirúrgicos já marcados.

Esse foi o caso de Rodimir Harnik, que teve de cancelar duas cirurgias agendadas para retirada de pedras nos rins diante de recusas de hospitais credenciados na rede. Com idade superior a 60 anos, ele faria a primeira intervenção no início de junho – quando já corriam os boatos da quebra da Unimed Paulistana – e a segunda no dia 9 de setembro, uma semana após a determinação da alienação da carteira da operadora.

Boatos mesmo antes de a ANS determinar a alienação da carteira da operadora geraram as recusas
Elza Fiuza/Agência Brasil
Boatos mesmo antes de a ANS determinar a alienação da carteira da operadora geraram as recusas

“Mandei e-mail [para a Unimed], compareci pessoalmente à sede e de nada adiantou”, reclama ele, que está em fase final de recuperação das cirurgias realizadas no Hospital do Servidor Estadual por meio do plano que paga e tem direito como servidor público. “Paguei R$ 20 mil por ano, durante cinco anos, e quando precisei [da Unimed], não tive apoio”, acrescenta.

As tentativas frustradas de conseguir o atendimento pela Unimed vieram do Hospital Villa Lobos e do Hospital Igesp. O Vila Lobos respondeu, por meio da assessoria de imprensa, que não irá comentar o caso. Já o Igesp não retornou os contatos do iG  até o momento desta publicação.

Em carta enviada à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) referente ao caso de Harnik, a operadora relatou uma “suposta dificuldade nos atendimentos nos prestadores da rede credenciada”. Em seguida, orientou ainda o atendimento em três unidades que classificou como uma “rede de sobrevivência” para garantir o atendimento neste período, diante da negativa de muitos credenciados.

Foram eles o Hospital Unimed Santa Helena (Pronto Socorro e internações eletivas) e CPAs – Centros de Procedimentos e Apoio; o Biocor Unidade Cardiológica e o Hospital Portinari (internações eletivas). “Fui nos hospitais que me indicaram e não consegui ser atendido em nenhum deles”, afirma. “No Hospital Santa Helena [sob gestão da Unimed Paulistana desde 2000] não havia nenhuma vaga, não se conseguia atendimento nem de balcão”.

Em resposta ao iG , a Unimed Paulistana não disse o porquê de o beneficiário não ter conseguido atendimento. A operadora somente informou que direcionou o caso para a rede da Central Nacional Unimed, seguindo decisão liminar datada do dia 17 de setembro, posterior a ambos os agendamentos das cirurgias.

Harnik também disse que entrou em contato com a ANS, que, segundo ele, não deu qualquer tipo de retorno e nada fez para que as cirurgias acontecessem. A reportagem entrou em contato com a agência, mas não teve retorno até o momento desta publicação.

Transferência de beneficiários

O prazo de 30 dias dado pela ANS para que a Unimed Paulistana repassasse seus cerca de 744 mil beneficiários terminaria nesta sexta-feira (2). Nenhuma operadora se mostrava interessada no repasse total da carteira, o que liberaria toda a carteira da operadora para oferta pública – por meio da qual qualquer empresa poderia oferecer e fazer novos contratos com os clientes.

No entanto, na última quarta-feira (30), a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou um acordo pelo qual o sistema Unimed absorveria todos os clientes de planos individuais/familiares e de coletivos com menos de 30 vidas. Com isso, a alienação compulsória foi suspensa. Os demais beneficiários, segundo o Procon-SP, já teriam sido realocados em outras operadoras.

O órgão de defesa do consumidor recebeu, entre os dias 4 e 29 de setembro, 1.760 reclamações de consumidores por falhas ou falta de atendimento na rede da Unimed Paulistana.

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