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Sindicalistas da Cobap não acreditam que receita da nova CPMF vai ser destinada à redução de déficit previdenciário

Aposentados reclamam de justificativa do governo para reeditar imposto
André Mourão/Agência O Dia
Aposentados reclamam de justificativa do governo para reeditar imposto

O presidente da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (Cobap), Warley Martins, defende uma auditoria completa nas contas da Previdência Social. “O déficit, na verdade, não existe. O governo não se cansa de desviar os recursos da Previdência Social para pagar os juros da dívida pública da União. Depois de tanta gastança, eles culpam os aposentados e pensionistas. Esse rombo foi feito exclusivamente pelo próprio governo”, diz o sindicalista.

A insatisfação com a volta da CPMF, anunciada pela governo na última semana, é forte entre os principais sindicatos que representam os aposentados no País. Além de afirmarem que não confiam na destinação do tributo para reduzir o déficit da Previdência Social, os representantes alegam que outras medidas poderiam ser tomadas para resolver o problema. Essas questões serão levadas pelos sindicalistas ao Fórum de Debates sobre Emprego, Trabalho e Renda e Previdência Social, instalado pelo governo este mês.

Para o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, o déficit da Previdência se deve a medidas do próprio governo. “Nós entendemos que eles querem jogar a sociedade contra os aposentados. Não precisava inventar, já tem muito dinheiro na Previdência. O problema é que o governo deu exoneração de folha, incentivo fiscal, e a gente alertou que isso ia dar problema para nós. Não quiseram nos ouvir e agora a gente está vendo o resultado. Achamos inaceitável e vamos questionar até o fim”.

A presidenta da Federação dos Aposentados e Pensionistas do Estado do Rio, Yeda Gaspar, também questionou o uso da CPMF para a finalidade anunciada. “Eles estão querendo comover a população para ficar com pena dos velhinhos. Se o governo parasse de tirar os 20% da Seguridade Social para fazer o que bem quiser, sobraria dinheiro para a Previdência. O clima é de revolta geral”, afirmou.

Nas ruas, a insatisfação entre os aposentados também é grande. Para Aida Pires, 66 anos, o governo devia reduzir os ministérios, os cargos comissionados, antes de propor a criação de mais impostos.

“O governo já apanha muito nosso dinheiro para cobrar mais. Duvido que vá para a previdência, querem pegar nosso dinheiro para ajeitar o rombo que eles criaram”, disse. Não vou comprar mais quase nada. Se todos fizessem isso seria uma boa resposta”, afirmou.