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Economista participa do 12° Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas, nesta segunda-feira (14), em São Paulo

O grande erro do Brasil é o controle da inflação pelo câmbio, que deve flutuar livremente, aliado a uma política econômica que rouba a competitividade da indústria nacional e que começou em 1986. Essa foi a tônica de palestra do economista Antônio Delfim Netto no 12° Fórum de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), realizado nesta segunda-feira (14), em São Paulo.

"Por que não crescemos? Crescimento é um estado de espírito. Quem tem dúvida sobre si mesmo não cresce", disse o economista.

Futura Press
"Por que não crescemos? Crescimento é um estado de espírito. Quem tem dúvida sobre si mesmo não cresce", disse o economista.

Para Delfim, usar o câmbio para controlar a inflação é um erro que vem sendo repetido, principalmente, desde 2007. "Essa é a morte de um ministro da Fazenda. Onde o governo errou? Dizia que faltava demanda, mas o que faltava era demanda para a indústria nacional", afirmou.

Netto pontuou que quando o presidente Luís Inácio Lula da Silva segurou o câmbio, incentivou o crédito e reduziu o IPI, favoreceu brutalmente a importação, desestimulando a indústria nacional. "Os chineses entraram com força total, pela desvalorização cambial. Nos últimos 20 anos, pelo controle de câmbio, a demanda da indústria brasileira teve US$ 412 bilhões subtraídos com essa política economia que começou em 1986 e foi acentuada recentemente."

O economista afirmou que quando o câmbio valoriza o crescimento cai. "O câmbio não é tudo, mas ele e suas circunstâncias, são, enfatizou ao explicar que se o País não cria mecanismos para aumentar as exportações ele encontra uma barreira, "não tem como crescer ".

Delfim Netto integrou a equipe econômica durante o regime militar - período de grande crescimento econômico e das exportações brasileiras, simultaneamente, do estouro da dívida externa brasileira e do aumento da desigualdade. Os resultados do período ficaram conhecidos como o "milagre econômico" que tinha como mote o crescimento do bolo (da economia), para depois dividir o resultado com a população, o que não ocorreu.

Em sua fala, o ex-ministro fez um retrospecto: antes de 1986, o crescimento da economia brasileira era de 15%, desde então, a taxa media é de 2%, 3%. "Um país que quer crescimento precisa dar ênfase às exportações. Principalmente um País que tem 200 milhões de habitantes." Para ele, a salvação da política econômica está no câmbio livre, na melhora da competitividade da indústria, e no aumento das exportações. Os anos de 1980, que marcaram o fim do regime militar, ficaram conhecidos como década perdida e tiveram como marca inflação de três dígitos, acima de 100% ao mês.

Delfim Netto é um dos economistas mais respeitados no Brasil. Ele foi conselheiro econômico de Lula durante a maior parte de seu governo e também da presidente Dilma Rousseff, em seu primeiro mandato.