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Metalúrgicos pedem adesão ao Programa de Proteção ao Emprego; montadora diz que medida seria insuficiente

A primeira reunião de retomada de negociações entre a Mercedes-Benz e o sindicato dos metalúrgicos do ABC, nesta qinta-feira (27), terminou sem nenhum resultado prático. As partes tentam chegar a um acordo sobre as 1,5 mil demissões de trabalhadores na fábrica de São Bernardo, que deflagrou uma greve desde a última segunda-feira .

Em abril, a Mercedes deu férias coletivas para funcionários das linhas de caminhões e ônibus
Getty Images
Em abril, a Mercedes deu férias coletivas para funcionários das linhas de caminhões e ônibus

O encontro durou cerca de seis horas e, segundo a assessoria de imprensa do sindicado, a pauta principal foi o apelo dos metalúrgicos para que a montadora faça adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE), lançado pelo governo em julho, para poupar os demitidos.

Ainda de acordo com o grupo sindical, a Mercedes teria argumentado que a entrada no programa seria insuficiente no esforço de manter os empregos na montadora, visto a grande crise que atravessa o setor. 

Por conta do não acordo, a greve continua, mas não há manifestações marcadas para os próximos dias. Na agenda da montadora e do sindicato somente está confirmada uma nova rodada de negociações nesta sexta-feira (28), quando se espera que as partes cheguem a um denominador comum.

A reportagem não conseguiu contato com a Mercedes-Benz até o momento desta publicação.

Como funciona o Programa de Proteção ao Emprego (PPE)

O programa que visa aliviar o custo do empresariado e preservar empregos permite a redução da jornada de trabalho dos funcionários em até 30% e uma diminuição de salário de cerca de 50% do reduzido nas horas trabalhadas. A outra metade é subsidiada pelo governo com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). 

A complementação salarial tem teto de R$900,84 – valor correspondente a 65% da maior contribuição garantida por lei ao seguro-desemprego – o que é uma das barreiras para a adesão ao PPE.

Outra delas é a comprovação por parte da empresa de reais dificuldades financeiras, tendo no máximo contratado menos de 1% a mais do que demitiu nos últimos 12 meses. Além disso, também será preciso comprovar que foram esgotadas todas as outras opções de manutenção dos postos de trabalho, como férias coletivas e utilização do banco de horas. O PPE tem vigência até o fim de 2016.

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