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Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e ABC afirma que demissões vieram por telegrama; associação de trabalhadores diz não saber qual foi o número de demissões

A montadora General Motors do Brasil realizou mais uma série de demissões de funcionários, neste sábado (8), de acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e ABC. A associação de trabalhadores promete fazer pressão junto às montadoras e autoridades para reverter a medida.

Fábrica da General Motors do Brasil em São José dos Campos: crise afeta toda a cadeia produtiva
General Motors do Brasil/Arquivo
Fábrica da General Motors do Brasil em São José dos Campos: crise afeta toda a cadeia produtiva

"Metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos foram surpreendidos em suas casas, neste sábado, dia 8, com avisos de demissão feitos por telegrama", diz o sindicato em nota, na qual afirma não ser ainda possível conhecer a extensão dos cortes e dos setores mais afetados. "O Sindicato repudia com veemência essas demissões. Os cortes acontecem às vésperas do Dia dos Pais, o que deixou os trabalhadores ainda mais perplexos."

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O mais novo corte apenas escancara a crise no setor automotivo. A crise no setor já atinge toda a cadeira produtiva. Há exatamente um mês 500 trabalhadores da empresa fora demitidos da fábrica da GM em São Caetano no Sul.  

Estima-se que, somente em 2015, cinco mil trabalhadores sejam no Estado de São Paulo. O último dado da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta para um excedente no número de trabalhadores da ordem de 30 mil no País.

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Além de férias coletivas, as empresas estão utilizando amplamente o mecanismo de lay off (suspensão de contratos de trabalho). O lay off tem duração de 5 meses e pode ser renovado. Ele é utilizado para que as empresas dividam o pagamento do salário com o governo – via recursos do Fundo de Amparo (FAT) ao Trabalhador – e assim evitem as demissões.

Os estoques da indústria no País chegam a 361,1 mil unidades e 51 dias. Essa medida de estoques em dias significa que toda a indústria tem veículos para vender, sem ter de produzir, por 51 dias, segundo a Anfavea. Em janeiro deste ano, a indústria empregava 144,2 mil pessoas, número reduzido para 138,2 mil, em maio. Em maio do ano passado, eram 152,3 mil empregados. Dados da Anfavea, do fim de maio, contavam 25 mil trabalhadores em regime de férias coletivas ou lay off.

O sindicato afirma que irá realizar uma assembleia na montadora na próxima segunda-feira (10), a partir das 5h30. Estarão em pauta as demissões e a necessidade de mobilização para reverter esse quadro.

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"Diante da postura da GM, que como as outras montadoras tem sido amplamente beneficiada por incentivos fiscais, o Sindicato vai cobrar do governo federal a edição de uma medida provisória que garanta estabilidade no emprego. Os metalúrgicos também exigem a reversão das demissões, redução da jornada para 36 horas sem redução de salário, proibição da remessa de lucros para o exterior e estatização das empresas que demitirem.", resume a nota.

A assessoria da GM não foi encontrada para comentar as demissões. 

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