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Principal indicador cai 16,2%, a maior queda desde 1987; plano do governo prevê injeção de verba do contribuinte em bancos

Bolsa de Atenas despencou no primeiro pregão após um fechamento de cinco semanas
Yorgos Karahalis/AP -8.3.15
Bolsa de Atenas despencou no primeiro pregão após um fechamento de cinco semanas

Grécia viveu seu pior banho de sangue no mercado de ações em décadas nesta segunda-feira (3), quando reabriu após um fechamento forçado de cinco semanas, e novos dados mostraram um futuro desanimador para a economia em encolhimento do país dependente de resgates.

O prinicipal índice de ações caiu 22% minutos depois da reabertura, na primeira oportunidade dos investidores desde o final de junho para reagir às últimas mudanças no drama econômico de quase seis anos vivido pelo país.

O índice fechou 16,2% abaixo, com ações de bancos atingindo o - ou chegando próximo do -  limite de transações diárias de perdas de 30%. Coletivamente, as empresas gregas listadas perderam cerca de 1/6 de seu valor de mercado, o que dá cerca de 8 bilhões de euros (R$ 27,5 bilhões).

"Há uma sensação de pânico", disse Evangelos Sioutis, analista financeiro e chefe de ativos do Guardian Trust. Ele percebeu que alguns operadores estão vendendo ações apenas para levantar dinheiro porque há pouca liquidez na economia grega. "Não há compradores", disse. "As projeções não estão claras."

A última queda comparável ocorreu em 1987, quando o principal índice perdeu 15%.

Os mercados no resto do mundo, entretanto, ficaram em sua maior parte a salvo, um sinal de que investidores do lado de fora da Grécia agora cortaram relações com o país. Ações europeias subiram.

Após rompimento, capitulação

O mercado de ações de Atenas e os bancos gregos fecharam em 29 de junho, quando o governo colocou limites nos saques de recursos e trasnferências para evitar que uma corrida às agências causasse um colapso do sistema financeiro. As pessoas entraram em pânico ante a previsão de que o país pudesse sair do euro após as conversas com os credores internacionais serem interrompidas.

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O governo de extrema esquerda do país, desde então, capitulou frente às exigências dos credores por mais austeridade, e retomaram conversas sobre um novo resgate - o terceiro desde junho de 2010 - de 85 bilhões de euros nos próximos 3 anos (R$ 320,1 bilhões). Os bancos reabriram, porém os saques contiuam submetidos a duras limitações.

Três pesquisas feitas na segunda-feira (3) ilustram a extensão do estrago que o fechamento dos bancos, os controles de capital e as incertezas sobre o futuro do país causaram à economia grega em julho.

A companhia de informações financeiras Markit diz que sua medição da atividade manufatureira na Grécia caiu 30,2 pontos durante o mês , nível mais baixo da série histórica, apesar da melhora nos outros países da zona do euro, que soma 19 membros.

Apesar de um leve sinal de crescimento no ano passado, a economia novamente encolhendo após uma recessão que varreu mais de 25% da produção, custou 1 milhão de empregos e disparou uma emigração em massa de profissionais qualificados.

Declian Costello, da Comissão Europeia, chega ao Ministério do Trabalho grego para reunião
Yorgos Karahalis/AP -8.3.15
Declian Costello, da Comissão Europeia, chega ao Ministério do Trabalho grego para reunião

Enquanto isso, uma pesquisa mensal de confiança de empresários e consumidores, o Indicador de Sentimento Econômico, caiu pelo quinto mês consecutivo em julho para o pior nível desde outubro de 2012.

A Grécia está agora em intesnas negociações com credores do resgate para negociar os termos de um novo pacote de resgate nas próximas 2 semanas. O país precisa completar as conversas e obter mais empreśtimos antes de 20 de agosto, quando tem de pagar 3 bilhões de euros (R$ 11,3 bilhões) ao Banco Central.

Na terça-feira (4), está prevista uma reunião dos ministros das finanças e da economia para discutir injeções de dinheiro dos contribuintes nos bancos gregos, assim como planos para privatizações em larga escala. O premiê Alexander Tsipras está enfrentando forte oposição ao novo resgate de seu partido Syriza, o que poderia levá-lo a convocar eleições antecipadas neste semestre.

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